Em uma cerimônia realizada no Centro da cidade de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou uma mudança significativa na estrutura de segurança urbana da capital paulista. A divisão da Guarda Civil Metropolitana (GCM), conhecida anteriormente como Inspetoria de Operações Especiais (Iope), foi oficialmente rebatizada como Ronda Ostensiva Municipal (Romu).
Objetivo da mudança de nomenclatura
Segundo o prefeito, a alteração tem como principal objetivo transmitir à população uma imagem mais clara e precisa da função real do policiamento ostensivo. Nunes enfatizou que a decisão foi baseada em análises de percepção pública e no alinhamento com outros municípios da Região Metropolitana que já utilizam a mesma nomenclatura.
"A Secretaria de Comunicação vem monitorando como as ações da prefeitura são recebidas pela sociedade, e a avaliação foi que a denominação anterior não refletia adequadamente a essência do trabalho de policiamento ostensivo", explicou o prefeito durante o evento realizado nesta sexta-feira (6).
Histórico da Romu e inspiração nas forças estaduais
A Romu não é uma criação completamente nova. Ela foi originalmente instituída na década de 1990, durante o segundo mandato do ex-prefeito Paulo Maluf, período marcado pela famosa frase "Rota na rua". Naquela época, a intenção era estabelecer uma tropa municipal que espelhasse a atuação da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota), a elite da Polícia Militar do estado de São Paulo.
A reativação da Romu foi formalizada em janeiro por meio de um decreto municipal, que transferiu para esta nova divisão todas as atribuições que antes eram desempenhadas pela Iope.
Novas viaturas e expansão das funções
O decreto que recriou o órgão estabelece que a Romu terá como funções principais:
- Patrulhamento tático e ostensivo em áreas urbanas
- Atuação em situações de emergência e crises
- Fornecimento de apoio logístico e operacional a outros órgãos públicos
Na quarta-feira (4), o prefeito gravou um vídeo demonstrando o novo modelo de viatura que será utilizado pela Romu. Trata-se de um SUV com pintura nas cores preta e cinza, uma escolha que remete deliberadamente às cores tradicionalmente associadas aos batalhões de choque da Polícia Militar.
"Essa máquina vai pra rua atrás da bandidagem. É a nova viatura da nossa polícia municipal", declarou Nunes ao lado do secretário de Segurança Urbana, Orlando Morando. "Cabe muita gente aqui", completou o prefeito, apontando para o amplo porta-malas do veículo.
Contexto político e controvérsias recentes
Vale destacar que Ricardo Nunes tem utilizado consistentemente o termo "polícia municipal" para se referir à Guarda Civil Metropolitana nos últimos anos. Em março do ano passado, chegou a aprovar uma lei que alterava oficialmente o nome da organização para essa denominação.
No entanto, essa medida foi suspensa no mês seguinte por uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), mantendo assim a nomenclatura tradicional da Guarda Civil Metropolitana, enquanto a Romu surge como uma divisão específica dentro dessa estrutura.
A formatação dos guardas civis metropolitanos no Centro de São Paulo, registrada em fotos por Marcelo Barreto da SMSU/Prefeitura de São Paulo, simboliza essa transição e o reforço do aparato de segurança na maior cidade do país.