O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), será o responsável por analisar o pedido de urgência apresentado pelo Partido Liberal (PL) para impugnar a pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, 19 de maio. O levantamento aponta uma queda significativa nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de um áudio em que ele solicita dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contexto do pedido de impugnação
A ação foi protocolada na noite de segunda-feira, 18 de maio, pelos advogados do PL, Marcelo Bessa e a ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri. Eles argumentam que a pesquisa é tendenciosa, principalmente por incluir a reprodução do áudio no questionário. Além disso, a petição aponta outros supostos vícios metodológicos que, segundo a defesa, induziriam os entrevistados a responder de forma desfavorável a Flávio Bolsonaro.
Distribuição do processo
Inicialmente, o processo foi distribuído automaticamente por sorteio para o gabinete da ministra Estela Aranha. No entanto, no início da tarde, foi redirecionado à presidência do TSE, ocupada por Nunes Marques desde o último dia 12. De acordo com o regimento interno do tribunal, cabe ao presidente distribuir os processos aos demais membros e cumprir as decisões da Corte. Na prática, isso significa que Nunes Marques pode analisar o pedido liminar ou encaminhá-lo a outro ministro.
Defesa da AtlasIntel
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, negou qualquer irregularidade. Em publicação nas redes sociais, ele explicou que o áudio é reproduzido após a conclusão do questionário, não influenciando os cenários eleitorais. O objetivo, segundo ele, é medir em tempo real o impacto da gravação na percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. Roman reforçou que a empresa mantém uma postura imparcial, tanto no Brasil quanto globalmente. A AtlasIntel ainda terá prazo para se manifestar oficialmente no processo.
O caso levanta discussões sobre a transparência e a metodologia das pesquisas eleitorais, especialmente em um contexto de alta polarização política. A decisão de Nunes Marques será acompanhada de perto por analistas e partidos, pois pode estabelecer precedentes para futuras impugnações.



