Rodrigo Manga retorna à Prefeitura de Sorocaba após liminar do STF e promove mudanças
Manga retorna à Prefeitura de Sorocaba após liminar do STF

Rodrigo Manga reassume prefeitura de Sorocaba após liminar do STF e anuncia mudanças

Com a volta de Rodrigo Manga, do Republicanos, ao cargo de prefeito de Sorocaba, no interior de São Paulo, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu seu afastamento durante investigações da Polícia Federal sobre desvio de verba na Saúde municipal, novas alterações foram implementadas na administração pública. Mais secretários foram exonerados e novos nomes assumiram pastas municipais, em movimentação ocorrida nesta quarta-feira, 1º de janeiro, horas depois de Manga retornar à prefeitura após quase cinco meses afastado.

Mudanças nas secretarias municipais

À TV TEM, Júlio Cesar Martins, ex-secretário de Recursos Humanos, foi o primeiro a confirmar a exoneração. As saídas foram determinadas pelo prefeito ou a pedido dos funcionários públicos, com algumas nomeações sendo cumulativas, onde o servidor assume, simultaneamente, dois ou mais cargos. O prefeito retornou à prefeitura nesta quarta-feira, após decisão do STF divulgada na terça-feira, 31 de dezembro. Manga participou de uma coletiva de imprensa na sede do partido Republicanos e, algumas horas após o pronunciamento, a lista com as mudanças foi divulgada no Jornal do Município.

Ao ser questionado sobre o motivo das alterações, Manga afirmou que o objetivo é voltar com a formação de funcionários do dia 6 de novembro de 2025. Durante a cerimônia, o prefeito destacou que iria se reunir com alianças partidárias e também com um instituto de pesquisa de intenção de voto, para assim definir seu futuro político, estudando a possibilidade de se candidatar como deputado federal.

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Lista de exonerações e nomeações

  • Exonerações/cessamentos: Andre Maximiliano Moron Machado – Assessor de Gabinete (Segurança Urbana); Edson Thiago Santoro Alves – Secretário de Meio Ambiente; Aliane Francisco Mendes – Secretária de Administração; Júlio Cesar de Souza Martins – Secretário de Recursos Humanos; Cleber Martins Fernandes da Costa – Chefe de Gabinete (Relações Institucionais); Rosangela Perecini – Secretária da Mulher (a pedido); Rosangela Perecini – Presidente do Fundo Social (a pedido).
  • Nomeações: Clayton Lustosa - Secretário de Empreendedorismo e Desenvolvimento Econômico (cumulativo); Mauricio Campanati - Secretário de Meio Ambiente (cumulativo); Cleber Costa - Secretário de RH e Administração (cumulativo); Guilherme Salinas - Secretário do Gabinete Central e Chefe de Gabinete Executivo (cumulativo); Ana Claudia Fauaz - Secretária da Mulher e Presidente do Fundo Social.

Suspensão do afastamento pelo STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, suspendeu, nesta terça-feira, 31 de dezembro, o afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, em decorrência da Operação Copia e Cola, com possibilidade de recurso. O político, conhecido como prefeito tiktoker por viralizar com vídeos nas redes sociais, foi afastado no dia 6 de novembro de 2025, durante a segunda fase da operação, que investiga desvio de verba na área da saúde em Sorocaba.

A investigação apura desvio de verbas em contratos para a administração de duas unidades de saúde do município. Com o afastamento temporário de 180 dias de Manga, o vice Fernando Martins, do PSD, assumiu a prefeitura há quase cinco meses. Manga reassumiu o cargo já na tarde desta quarta-feira. O advogado de defesa do prefeito, Daniel Bialski, disse que o STF notificou o Tribunal Regional Federal (TRF-3) e a prefeitura sobre a decisão.

O prefeito comemorou o retorno e disse que pedirá análise para voltar o transporte gratuito a estudantes na cidade e também para a convocação de guardas. Em vídeo feito por pessoas que estiveram no local, ele foi recebido ao desembarcar no prédio. "Não foi fácil [o afastamento], mas foi importante este espaço de tempo para que a gente pudesse voltar com a manifestação importante do STF, sem nenhuma restrição para a gente continuar em paz e continuar cuidando do nosso povo", afirmou Manga durante a recepção.

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Decisão judicial e contexto político

O pedido de habeas corpus feito pela defesa de Rodrigo Manga foi julgado inicialmente pelo Tribunal Regional Federal (TRF-3) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O TRF-3 decidiu pela suspensão do chefe do Executivo como medida cautelar para o desenvolvimento da investigação, e o STJ manteve a decisão. Analisado agora na Suprema Corte, Rodrigo Manga recuperou também a permissão de acesso ou frequência aos edifícios oficiais.

Na decisão monocrática, Nunes Marques justificou que a medida representava "intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município de Sorocaba". Mesmo com a publicação, a decisão será levada ao plenário para apreciação dos ministros da 2ª turma do STF. O ministro argumentou que a demora desta decisão poderia ser um risco de intervenção ainda maior na livre opção de Rodrigo Manga se inscrever na disputa de cargos na corrida eleitoral deste ano, pois o prazo para esta ação de pré-candidatura deve se encerrar no sábado, 4 de janeiro.

Em nota, a defesa de Rodrigo Manga celebrou a decisão do STF, afirmando que a Suprema Corte reconheceu a inexistência de razões para a manutenção do afastamento. Já a assessoria do político reforçou que, agora, ele irá decidir pelo retorno ao comando da Prefeitura de Sorocaba ou pela descompatibilização do cargo para concorrer às eleições de 2026. Manga comemorou: "Mais uma vez, o STF mostra-se defensor dos direitos políticos e do povo".

Operação Copia e Cola e denúncias

A investigação começou em maio de 2022 para apurar a contratação indevida da Aceni pela Prefeitura de Sorocaba. O trabalho, conforme a polícia, revelou indícios de uma trama criminosa usada para dilapidar os cofres públicos, a partir do contrato emergencial da UPA do Éden e, depois, da então UPH da Zona Oeste (atual UPA da Zona Oeste). Em fevereiro, o Ministério Público Federal denunciou 13 pessoas por crimes em contratos com a Prefeitura de Sorocaba na área da saúde.

Entre os denunciados estão Rodrigo Manga, sua esposa, Sirlange Frate Maganhato, e sua mãe, Zoraide Batista Maganhato. Os investigados foram acusados de organização criminosa, peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e frustração de competição em licitação. A defesa de Rodrigo Manga e Sirlange Maganhato disse que não irá comentar o caso, enquanto os advogados de Paulo Korek informaram que respeitam o trabalho da PF e que demonstrarão a inocência dele.