A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em Alphaville, Barueri, e encaminhada à sede da Polícia Civil de São Paulo. A prisão ocorre no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas controlada pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Papel central no esquema financeiro do PCC
Segundo o inquérito policial obtido pela TV Globo, Deolane Bezerra é classificada como uma das mais importantes integrantes do esquema de lavagem de capitais gerido pela organização criminosa. Apesar de não ter sido batizada na facção e não possuir apelido, a promotoria informou que ela desempenha papel central na estrutura financeira do PCC, funcionando como uma espécie de 'caixa'. Valores atribuídos ao PCC eram depositados em contas ligadas a Deolane e misturados a recursos de outras atividades antes de retornarem ao grupo, dificultando o rastreamento financeiro.
Depósitos fracionados e bens de luxo
A investigação aponta que entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como 'smurfing', utilizada para evitar mecanismos de controle financeiro. Além disso, quase 50 depósitos totalizando R$ 716 mil foram feitos a duas empresas da influenciadora por uma empresa de crédito cujo responsável recebe cerca de um salário mínimo mensal. A polícia não identificou pagamentos relacionados a esses créditos, indicando ocultação de recursos do PCC. O lucro do esquema era incorporado à economia formal por meio da compra de bens de alto valor, como uma Ferrari SF90 Stradale (R$ 4,7 milhões) e um Porsche 911 Carrera.
Relação com operador financeiro do PCC
Deolane mantinha vínculo estreito com Everton de Souza, conhecido como 'Player', apontado como operador financeiro do esquema. Ele indicava as contas bancárias da advogada para recebimento de recursos provenientes do 'fechamento' mensal da facção. Everton também foi preso preventivamente nesta quinta-feira. Mensagens encontradas no celular dele ajudaram a polícia a concluir a participação de Deolane na lavagem de dinheiro.
Origem da investigação
A Operação Vérnix teve origem na troca de bilhetes apreendidos em 2019 no presídio de Presidente Venceslau, que mencionavam uma 'mulher da transportadora' responsável por levantar endereços de agentes públicos para ataques planejados pelo PCC. Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, operador central do esquema, revelando conexões financeiras com Deolane. Imagens mostravam depósitos para contas dela e de Everton.
O delegado Edmar Caparroz declarou que o vínculo de Deolane com a transportadora foi o pontapé inicial, mas com o afastamento de sigilos bancário e fiscal, verificou-se sua relação com outras vertentes do crime organizado. A defesa de Deolane, representada pelo advogado Luiz Imparato, afirmou que está se inteirando dos fatos.



