O empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais articuladores do esquema de corrupção que prejudicou milhões de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), terá sua delação premiada reiniciada. A informação foi divulgada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Acordo entre PF e PGR
Há algumas semanas, Camisotti apresentou a Mendonça a proposta de delação negociada com a Polícia Federal. O material foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para análise. Nos últimos dias, investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) chegaram a um entendimento que resultará, na prática, no recomeço das negociações.
A decisão conjunta visa fortalecer as provas e evitar que pressões políticas levem à anulação ou ao arquivamento das revelações de Camisotti no STF. Com isso, os anexos produzidos pelo empresário e seus advogados serão refeitos, agora com a participação ativa da PGR e da PF, seguindo o mesmo modelo adotado na delação de Daniel Vorcaro e de outros investigados no caso do Banco Master.
Revelações de Camisotti
Camisotti entregou nomes de políticos, ex-integrantes do governo Lula e diversas outras figuras influentes que lucraram com o desvio criminoso de aposentadorias no INSS. Sua delação é considerada peça-chave para compor o quadro completo do esquema fraudulento.
A expectativa é que a nova fase da delação, conduzida em parceria, produza provas mais robustas e ajude a desmantelar a rede de corrupção que lesou milhões de segurados.



