Ministro do STF nega obrigação de Câmara instalar CPI do Caso Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, negou um pedido que buscava obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Caso Master. A decisão foi tomada após análise de ação proposta pelo deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB, que acionou a Corte Suprema devido à falta de resposta da presidência da Câmara por mais de trinta dias.
Falta de elementos para comprovar omissão
Em sua fundamentação, o ministro Cristiano Zanin destacou que o processo não apresentou elementos suficientes para comprovar uma suposta omissão do presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, em relação ao pedido de criação da CPI. O requerimento, protocolado em 2 de fevereiro, havia reunido mais de duzentas assinaturas de parlamentares.
Zanin afirmou que não é possível concluir pela existência de indevida “resistência pessoal” da autoridade, especialmente considerando o reduzido lapso temporal desde a formulação do requerimento. Ele enfatizou que a decisão não impede, em hipótese alguma, a prerrogativa da Câmara dos Deputados de instaurar a comissão parlamentar de inquérito, desde que atendidos os requisitos regimentais necessários.
Contexto processual e mudanças de relatoria
O ministro Cristiano Zanin foi sorteado para decidir sobre essa ação após o ministro Dias Toffoli – inicialmente designado – declarar-se impedido por motivo pessoal. Em fevereiro, Toffoli deixou a relatoria do Caso Master após admitir ser sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort para fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a saída de Toffoli, assumiu a relatoria o ministro André Mendonça, que autorizou recentemente a terceira fase da Operação Compliance Zero. Essa operação resultou em quatro prisões preventivas, incluindo a de Daniel Vorcaro. A decisão individual de Mendonça será analisada na sessão do plenário virtual da Segunda Turma do STF, que ocorre entre 13 e 20 de março.
Composição da Segunda Turma e pressão política
A Segunda Turma do Supremo é formada por cinco ministros: André Mendonça (relator do caso), Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. No entanto, na quarta-feira (11), Toffoli declarou novamente sua suspeição por motivo de foro íntimo, a partir desta fase investigativa. Com sua ausência, o julgamento será decidido pelos outros quatro ministros.
O julgamento ocorre sob intensa pressão política sobre a Corte. Segundo informações, políticos do centrão têm se mobilizado para tentar a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do STF. Essa movimentação surge em meio ao temor crescente de que o avanço das investigações leve Vorcaro a optar por uma delação premiada.
Preocupações com delação e possíveis consequências
A grande preocupação de grupos do centrão é que, se permanecer muito tempo preso, Vorcaro decida fazer uma colaboração e revele a extensão de suas relações políticas e financeiras. Em casos criminais, a lei estabelece que um eventual empate beneficia os investigados, ou seja, prevalece a posição mais favorável à defesa.
Na prática, se isso ocorrer, Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel poderão ser soltos ou voltar a ter outras restrições, como o uso de tornozeleira eletrônica. O caso continua a gerar repercussões significativas no cenário político e jurídico brasileiro.



