Assembleia do RN inicia ano legislativo com debate sobre possível eleição indireta para governador
A solenidade de abertura do ano na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, realizada nesta terça-feira (3), foi marcada por intensas discussões sobre um cenário político incomum. A possibilidade de o estado realizar duas eleições para governador em um mesmo ano dominou os debates entre parlamentares e autoridades presentes.
Cenário de dupla vacância no governo estadual
Caso a governadora Fátima Bezerra (PT) e o vice-governador Walter Alves (MDB) confirmem suas renúncias em abril para disputarem cargos legislativos nas eleições de outubro, a Assembleia precisará eleger um novo governador e vice para um mandato-tampão que se estenderia até janeiro de 2027. A eleição seria direta, mas restrita aos 24 deputados estaduais que compõem a casa legislativa.
Questionado sobre o assunto, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), afirmou que o tema ainda é uma conjectura, mas já adiantou importantes definições processuais. "Diante dessa possibilidade, durante o mês de janeiro, eu me debrucei sobre esse assunto com a nossa procuradoria. Será feito um projeto de lei com as diretrizes desta eleição", declarou o parlamentar.
Regras e procedimentos para a eleição indireta
Ezequiel Ferreira esclareceu que os votos dos deputados serão abertos, sem possibilidade de votação secreta. "A assembleia só se manifesta se houver a vacância. Nós teríamos como eleitores os 24 deputados. E poderia ser candidato qualquer cidadão filiado a um partido que tenha mais de 35 anos de idade, com conduta ilibada", explicou.
O presidente também revelou que a eleição poderia ser conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ibanez Monteiro, que esteve presente na sessão de abertura mas não concedeu entrevistas. Ezequiel evitou confirmar se assumiria o governo interinamente em caso de dupla vacância, já que ocupa a terceira posição na linha sucessória.
Posicionamentos partidários e nomes em disputa
O líder do governo na Assembleia, deputado Francisco do PT, declarou que o partido tem um pré-candidato à eleição indireta: Carlos Eduardo Xavier, atual secretário de Fazenda do estado, conhecido como Cadu. "A proposta nossa, nesse momento, é manter as políticas do governo da professora Fátima, fazer as entregas que temos e seguir dando prioridade ao pagamento dos servidores", afirmou Cadu Xavier, que confirmou sua pré-candidatura.
Porém, Francisco ressaltou que a saída da governadora ainda está sendo discutida internamente. "É hipótese porque isso aí precisa de uma decisão final. A governadora Fátima é pré-candidata ao Senado, mas evidentemente que esses diálogos ainda estão em andamento", ponderou.
Oposição defende nome técnico para o governo
Do lado da oposição, o líder Tomba Farias (PL) considerou que a possibilidade da eleição indireta está no centro das principais discussões políticas do estado, mas destacou que ainda há muitas incertezas. Ele afirmou que além da governadora, o próprio vice-governador ainda pode desistir da renúncia.
Caso a dupla vacância seja confirmada, Tomba defende a eleição de um "técnico" - uma pessoa de fora do mundo político. "A sugestão e a unanimidade dentro do partido é que seja uma pessoa de consenso e que seja um técnico. Uma pessoa de credibilidade para adotar mudanças necessárias", argumentou.
Movimentações partidárias e alianças
O deputado Hermano Morais (PV) confirmou que deverá retornar ao MDB, partido do vice-governador Walter Alves, e revelou que foi convidado para ser vice-governador na chapa que deverá ser encabeçada pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). "Estou aguardando a oficialização da pré-candidatura do prefeito Allyson, de Mossoró, que deve ocorrer nesses próximos dias", pontuou.
A abertura do ano legislativo de 2026 ocorreu sem a tradicional mensagem da governadora, que foi representada pelo secretário Cadu Xavier. O evento marcou o início de um ano que promete intensas movimentações políticas no Rio Grande do Norte, com a possibilidade histórica de duas eleições para governador em um mesmo período.



