PSD questiona no STF lei do Rio que estabelece voto aberto em eleição indireta para governador
PSD questiona lei do Rio sobre voto aberto em eleição indireta no STF

PSD contesta no Supremo lei fluminense sobre eleição indireta para governador

O Partido Social Democrático (PSD) ingressou nesta sexta-feira (13) com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a lei estadual do Rio de Janeiro que estabelece as regras para uma eventual eleição indireta para governador do estado. A norma foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e sancionada pelo governador Cláudio Castro (PL) nesta semana, determinando que, caso ocorra a eleição indireta, o voto dos deputados estaduais seja nominal e aberto.

Questão central: sigilo do voto em debate

No pedido encaminhado ao Supremo, o PSD argumenta que a determinação do voto aberto viola um dos princípios fundamentais do processo eleitoral: o sigilo do voto. Segundo a legenda, "a determinação do voto aberto fere diretamente um dos principais pilares que garante a legitimidade do processo eleitoral, seja qual for a sua modalidade de realização, que é o voto secreto". A ação será relatada pelo ministro Luiz Fux, cabendo ao STF decidir sobre a constitucionalidade da lei fluminense.

A eleição indireta só se concretizaria caso o governador Cláudio Castro renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. O prazo final para eventual renúncia é 4 de abril, mas antes disso, no dia 24 de março, Castro enfrenta outro desafio: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o julgamento que pode cassar seu mandato no processo relacionado ao escândalo do Ceperj, com placar atual de dois votos a zero pela cassação e inelegibilidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Disputa política nos bastidores do Rio

Nos corredores da política fluminense, a discussão sobre voto aberto ou secreto tem impacto direto na disputa pelo eventual mandato-tampão. Duas figuras emergem como possíveis candidatos: André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj, filiado ao PT; e Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades, filho do prefeito de São Gonçalo e pré-candidato ao governo pelo PL.

A avaliação de aliados políticos sugere que o voto secreto poderia favorecer a candidatura de Ceciliano, permitindo que deputados votem de forma diferente da orientação oficial de seus partidos. Já o voto aberto tenderia a fortalecer alinhamentos partidários explícitos. O PSD, autor da ação no STF, é o partido do prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo do estado, que mantém estreita relação com o presidente Lula.

Possível impedimento de candidatos

A ação apresentada ao Supremo também sustenta que ocupantes de cargos no Executivo precisam deixar suas funções seis meses antes da eleição, conforme regra de desincompatibilização. Como a eventual eleição indireta teria que ocorrer ainda no primeiro semestre, não haveria prazo suficiente para que Ceciliano e Ruas deixassem seus cargos dentro do período exigido, o que poderia impedir a candidatura de ambos.

Se eleito no mandato-tampão, Douglas Ruas poderia disputar a reeleição em outubro com a máquina do governo estadual, contando com apoio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL. Já uma eventual eleição de Ceciliano poderia beneficiar o grupo político de Eduardo Paes e Lula no estado, conforme avaliação de aliados.

A indefinição sobre a renúncia de Cláudio Castro mantém a política fluminense em suspense, com a possibilidade de eleição indireta dominando os bastidores nos últimos meses. O governador se reuniu com aliados no Palácio Laranjeiras nesta quinta-feira, mas ainda não anunciou decisão sobre deixar o governo para disputar o Senado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar