André Mendonça assume investigações do INSS e Banco Master em ano eleitoral
Mendonça investiga escândalos do INSS e Master em 2026

Ministro do STF assume investigações bilionárias em ano decisivo

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, encontra-se no centro de duas das maiores investigações da história recente do país: os escândalos do Banco Master e do INSS. Com potencial para abalar as estruturas políticas nacionais às vésperas das eleições de outubro de 2026, o magistrado assume uma posição de extraordinário poder e responsabilidade, prometendo atuar com cautela e rigor absolutos.

Um paiol político nas mãos do ministro

Os casos sob relatoria de Mendonça envolvem valores que superam os 50 bilhões de reais, atingindo desde aposentados vulneráveis até fundos de previdência de estados e municípios. As investigações já revelaram conexões com figuras políticas de diversos escalões, incluindo senadores, deputados e até familiares de autoridades do mais alto nível.

O ministro assumiu o caso Master há pouco mais de uma semana, substituindo Dias Toffoli, que deixou a relatoria após revelar-se sócio de um resort vendido a fundo ligado ao ex-dono do banco, Daniel Vorcaro. Desde então, Mendonça tem trabalhado com discrição característica, solicitando informações à Polícia Federal, instruindo agentes e agendando reuniões para planejar o avanço das apurações.

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Impacto eleitoral e pressão institucional

Em ano de eleições municipais, estaduais e federais, cada movimento do ministro é acompanhado com atenção redobrada. Operações policiais, vazamentos de documentos ou informações descontextualizadas podem fulminar candidaturas e criar embaraços políticos de grande magnitude.

Uma das linhas de investigação do caso Master busca estabelecer conexões entre caciques políticos locais e investimentos de fundos de previdência no banco, com suspeitas de propina ou apoio eleitoral. A lista de investigados inclui autoridades do Amapá, Amazonas, Brasília, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

O caso já atingiu indiretamente dois ministros do próprio STF: além de Toffoli, Alexandre de Moraes, cujos dados fiscais familiares teriam sido acessados indevidamente em conexão com as investigações.

O escândalo do INSS e suas ramificações

Há oito meses à frente das investigações do INSS, Mendonça já testemunhou as ramificações desse esquema que lesou pelo menos 3 milhões de aposentados. Estima-se que mais de 6 bilhões de reais foram desviados de pensões através de descontos ilegais nos contracheques dos pensionistas.

As apurações levaram à demissão do ministro da Previdência, envolveram assessores do Congresso, um senador governista e, na mais barulhenta das descobertas, atingiram Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Uma testemunha afirmou à polícia que ele recebia mesada mensal de 300 mil reais de um dos mentores do esquema para abrir portas no governo.

Diante do depoimento que comprometia o filho do presidente, Mendonça autorizou a inclusão do informante no programa de proteção a testemunhas, após alegações de ameaça de morte.

Perfil reservado em meio à tempestade

Avesso a holofotes e entrevistas, Mendonça é considerado por seus pares como o perfil ideal para recolocar as investigações nos trilhos. Ele já confidenciou que, se possível, evitará decisões com impacto imediato às vésperas das eleições, embora reconheça a dificuldade dessa tarefa.

O ministro, que em junho assumirá a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, terá sob seu crivo pedidos de impugnação de candidaturas, denúncias de abuso de poder e, em último estágio, cassações de mandatos e inelegibilidades.

Precedentes históricos e responsabilidade atual

A história recente do STF mostra como ministros em posições semelhantes moldaram o cenário político nacional. Joaquim Barbosa tornou-se figura popular ao conduzir o julgamento do mensalão; Alexandre de Moraes influenciou diretamente a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro; Edson Fachin permitiu que Lula recuperasse direitos políticos com uma única decisão.

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Agora, André Mendonça encontra-se nessa posição histórica. "Como são escândalos com amplo potencial de repercussão sobre diferentes atores de diferentes espectros políticos, o grau de pressão e cobrança que vai existir em cima do ministro será grande", analisa Rubens Glezer, professor da FGV Direito São Paulo.

Inspirado em sermão do padre Antônio Vieira — "Pó que está em pé, não te esqueças que és pó e que serás deitado" —, Mendonça promete conduzir-se com prudência evangélica, mas com implacabilidade nos julgamentos que definirão não apenas destinos individuais, mas possivelmente o rumo político do país em 2026.