O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma semana decisiva de negociações para definir quem assumirá o comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A escolha do sucessor de Ricardo Lewandowski é vista como uma das mais importantes do terceiro ano de governo, com impacto direto nas eleições municipais.
Busca por um nome forte e a estratégia interina
Consciente de que o tema da segurança pública pode ser um fator decisivo nas urnas, o presidente busca um perfil de peso para a pasta. A decisão de nomear Manoel Carlos de Almeida Neto, até então número dois do ministério, para o cargo interino, foi uma jogada estratégica. Essa medida dá a Lula um respiro necessário para conduzir as conversas sem pressa e encontrar o nome ideal para o posto.
A movimentação ocorre em um momento sensível, no último ano completo de mandato antes das eleições municipais. Aliados do Planalto reconhecem que a pasta da Justiça e Segurança Pública carrega um peso eleitoral enorme, exigindo uma condução cautelosa e competente.
O dilema do desmembramento da pasta
Além da definição do novo ministro, Lula precisa tomar uma decisão sobre uma proposta que divide o governo e o próprio PT: o desmembramento do ministério. A ideia em discussão é a criação de um Ministério da Segurança Pública autônomo, separando essa função das demais atribuições da Justiça.
O tema, no entanto, não é consensual. Enquanto alguns defendem a separação como forma de dar mais foco e agilidade às políticas de segurança, outros temem a criação de uma estrutura nova e complexa em um momento político já delicado. A discussão promete esquentar os corredores do Planalto nos próximos dias.
Autonomia da Polícia Federal e os próximos passos
Outro ponto de atenção na sucessão é a preservação da autonomia da Polícia Federal. A corporação, atualmente sob o comando de Andrei Rodrigues, é peça-chave em diversas frentes de investigação. Há um entendimento dentro do governo de que essa independência operacional deve ser mantida a qualquer custo, independentemente de quem assuma a cadeira de ministro.
As longas conversas anunciadas para esta semana envolverão líderes partidários, aliados de confiança e integrantes do primeiro escalão. O objetivo é fechar um nome que una competência técnica, trânsito político e capacidade de gestão para um dos desafios mais complexos da administração pública.
A escolha do sucessor de Lewandowski, portanto, vai muito além de uma simples troca de comando. Ela sinalizará a direção que o governo pretende tomar na área de segurança nos próximos meses, em um período que antecede diretamente o pleito eleitoral.