Fachin busca preservar imagem do STF em meio a caso Banco Master e tensão política
Fachin tenta proteger imagem do STF com caso Banco Master

STF inicia 2026 com tensão interna e preocupação com imagem institucional

O Supremo Tribunal Federal enfrenta um início de ano marcado por desconforto interno e uma atenção redobrada à sua imagem pública. Em meio ao avanço do caso Banco Master e à exposição de ministros na mídia, o presidente da Corte, Edson Fachin, tem mantido diálogos reservados com colegas para discutir estratégias de condução do tribunal em um período eleitoral e de alta tensão entre os Poderes.

Exposição pública e revelações sobre contratos ampliam desgaste

Segundo análises do colunista Robson Bonin, o STF passou a ocupar uma vitrine de contestação desde o fim de 2025, cenário que tradicionalmente incomoda os ministros. O avanço das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master colocou o Supremo no centro do noticiário durante o recesso institucional.

Histórias sobre contratos e relações que envolvem familiares de ministros, incluindo a esposa do ministro Alexandre de Moraes e parentes de Dias Toffoli, ganharam espaço em um período de escassez de outros temas políticos. Isso ampliou significativamente a repercussão negativa e o desgaste institucional da Corte.

Decisões polêmicas e investigações elevam pressão política

Decisões tomadas no fim de 2025 e no início de 2026 pelo ministro Dias Toffoli foram amplamente questionadas e ajudaram a impulsionar o noticiário crítico. A principal preocupação de Fachin, conforme Bonin, é preservar a imagem institucional do STF em um ano que tende a ser marcado por conflitos entre os Poderes.

Investigações em curso no tribunal devem atingir figuras relevantes do Congresso Nacional e do próprio governo federal, o que tende a elevar ainda mais a pressão política sobre a Corte. Entre os focos de atrito, destacam-se:

  • Apurações sobre emendas parlamentares, relatadas pelo ministro Flávio Dino, que avançam em diferentes gabinetes e podem afetar parlamentares influentes.
  • Investigações relacionadas ao escândalo do INSS, que se aproximam de figuras ligadas ao governo federal, ampliando o clima de tensão institucional.

Divergências internas e administração de crises

A intenção de Fachin é estimular um debate coletivo dentro da Corte para administrar as divergências sem ampliar o desgaste externo. Entre os 11 ministros, há posições distintas: alguns apoiam integralmente as decisões de Toffoli, enquanto outros mantêm críticas reservadas, evitando manifestações públicas.

Apesar da repercussão pública intensa, internamente o Supremo segue seu ritmo habitual, com muitos ministros ainda em férias no exterior. As conversas indicam que o funcionamento da Corte não foi afetado na mesma proporção do debate público. No entanto, Fachin tenta antecipar problemas e conduzir o tribunal com cautela diante de um cenário político sensível e um ano eleitoral que promete aumentar as tensões.