Eunício Oliveira traça estratégia para retorno triunfal ao Congresso Nacional
Oito anos após uma derrota eleitoral marcante em 2018, o político cearense Eunício Oliveira, do MDB, está articulando um plano ambicioso que visa não apenas seu retorno ao Senado Federal, mas também a reconquista da Presidência da Casa em 2029. O ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional, que amargou o terceiro lugar nas eleições de 2018 no Ceará, pretende encerrar sua carreira política com um desfecho grandioso, conforme revelado a interlocutores próximos.
O cenário eleitoral desafiador de 2027
O primeiro passo deste projeto plurianual ocorrerá nas eleições de 2027, quando Eunício buscará uma vaga no Senado pelo Ceará. O cenário, no entanto, apresenta-se extremamente competitivo. A coalizão governista em torno do governador Elmano Freitas (PT) conta com pelo menos três outros nomes fortes na disputa além do emedebista: Júnior Mano (PSB), indicado pelo senador e ex-governador Cid Gomes; e os deputados federais petistas José Guimarães, líder do governo Lula na Câmara, e a ex-prefeita Luizianne Lins.
As pesquisas eleitorais mais recentes apresentam um panorama variado e instável. Uma pesquisa do Real Time Big Data, divulgada no início de fevereiro de 2026, mostra em um dos cenários Capitão Wagner (União Brasil) liderando com 17%, seguido por Júnior Mano com 15% e Eunício Oliveira com 13%. Já José Guimarães e Pastor Alcides (PL) empatam em quarto lugar com 12% cada.
Outro levantamento, do Paraná Pesquisas divulgado em 22 de janeiro, coloca o cacique emedebista em posições mais favoráveis. Em dois dos três cenários que o incluem, Eunício aparece em segundo lugar, com intenções de voto variando entre 26,4% e 35,2%. Em um terceiro cenário, na ausência de Capitão Wagner entre as opções, ele chega a liderar com expressivos 37,3%.
O contexto histórico da derrota de 2018
A derrota de 2018 foi particularmente significativa para Eunício Oliveira. Na época, ele ocupava a Presidência do Senado e do Congresso Nacional quando as urnas foram abertas, mas terminou em terceiro lugar na disputa por uma vaga no Senado pelo Ceará. O emedebista ficou meros 11.993 votos atrás do então neófito Eduardo Girão, que conseguiu a segunda vaga sob a legenda do hoje extinto PROS.
As eleições daquele ano foram marcadas por um forte sentimento antissistema, amplificado pelas revelações da Operação Lava-Jato, que desbancou vários caciques tradicionais da política brasileira. O caso de Eunício Oliveira tornou-se um dos exemplos mais contundentes desse fenômeno político.
Os bastidores do poder e as influências
Em conversas reservadas, Eunício revela detalhes interessantes sobre os bastidores do poder. Segundo ele, foi de sua iniciativa a ideia para que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) lançasse sua candidatura à Presidência do Senado em 2019. O cearense conta que os dois almoçavam juntos quase diariamente nos meses anteriores àquela eleição.
"Vai lá no shopping e compra uns ternos novos. Joga esses velhos que você usa fora. Agora você vai andar com postura de presidente", recorda-se Eunício de ter dito ao colega, que na época era praticamente desconhecido do grande público. Alcolumbre seguiu o conselho e foi eleito presidente do Senado, mantendo o cargo até hoje.
O fator Ciro Gomes e a incerteza eleitoral
Um elemento de grande influência sobre a eleição ao Senado em 2027 permanece indefinido: a possível candidatura do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes ao Palácio da Abolição. Atualmente filiado ao PSDB, Ciro flerta com uma candidatura ao governo do Ceará em aliança com os bolsonaristas do PL local.
O político tem repetido que "o juízo" diz a ele para não ser candidato, mas admite que "o coração está balançado". Sem anunciar uma decisão final, Ciro Gomes lidera as pesquisas de intenção de voto mais recentes para o governo estadual.
Quando questionado sobre a situação política de Ciro Gomes e as consequências de uma eventual derrota para sua biografia política, Eunício Oliveira costuma recorrer a uma analogia direta: "Se alguém está de frente para você com uma metralhadora e você com uma faca na mão, você tenta sair correndo? Não, você tenta espetar o adversário para se salvar."
A estratégia de longo prazo
O plano de Eunício Oliveira é claramente delineado em etapas. Primeiro, garantir sua eleição ao Senado em 2027, superando a forte concorrência dentro da própria coalizão governista e de outros partidos. Em seguida, trabalhar sua base de apoio dentro do Congresso para, em 2029, disputar e conquistar a Presidência do Senado, cargo que já ocupou entre 2017 e 2018.
Para o emedebista, esta seria a forma ideal de encerrar uma carreira política que já atravessa décadas, marcada por altos e baixos, incluindo a dolorosa derrota de 2018. Resta saber se o eleitorado cearense e seus colegas parlamentares estarão dispostos a apoiar este ambicioso projeto de retorno triunfal ao centro do poder brasileiro.



