Câmara Legislativa do DF inicia ano com foco em impeachment e ausência do Executivo
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou nesta terça-feira, 3 de fevereiro, a primeira sessão ordinária de 2026, marcando o início oficial dos trabalhos legislativos no ano. Os deputados retornaram do recesso, que começou em 15 de dezembro, mas em vez de votar projetos, a pauta foi dominada por dois temas centrais: a investigação das relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) e os pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, do MDB, decorrentes dessa apuração.
Presidente da CLDF aguarda análise da Procuradoria
O presidente da Câmara Legislativa e aliado de Ibaneis Rocha, Wellington Luiz, também do MDB, afirmou que aguardará a análise da procuradoria da Casa para verificar se os pedidos de impeachment atendem aos requisitos formais antes de tomar qualquer decisão. Segundo ele, o prazo para essa avaliação é de 20 dias úteis, o que deve adiar a análise para depois do período do Carnaval.
Wellington Luiz destacou: "Nós vamos seguir o rito da Casa, seremos extremamente rigorosos nisso. Então, a Procuradoria já está analisando todos os pedidos. Logo após análise da Procuradoria, será submetido à análise da Mesa Diretora. E, nesse momento, nós vamos saber qual é o entendimento da Procuradoria para que aí, politicamente a gente possa também analisar os processos."
Ausência de representantes do Executivo gera polêmica
Em uma decisão que quebrou a praxe, nenhum representante do Executivo foi incluído na sessão de abertura. Wellington Luiz explicou que a medida foi tomada em comum acordo, após diálogo com Ibaneis Rocha e o chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha. O governador, que era esperado na CPI do Crime Organizado no Senado pela manhã e na Câmara Legislativa do DF à tarde para entregar uma mensagem do Executivo, faltou a ambos os compromissos.
O presidente da CLDF justificou que o momento deveria ser reservado exclusivamente aos parlamentares, diante do contexto político considerado delicado. Ele assumiu a responsabilidade pela decisão, afirmando que buscou preservar a autonomia do Legislativo e evitar constrangimentos.
Wellington Luiz acrescentou: "Houve uma conversa entre eu, governador e sobretudo com o secretário Gustavo Rocha, sobre a forma como iríamos fazer isso. Então, se alguém precisa ser responsabilizado, eu assumo que seja eu. Mas por uma tentativa de deixar que a câmara faça seu papel, sem constranger ninguém do governo e sem ninguém do governo, por sua presença, venha nos constranger. Esse é o entendimento da Câmara."
Oposição critica ausência e acusa mentiras
A ausência de autoridades do governo na sessão foi alvo de críticas da oposição. O deputado distrital Fábio Félix destacou que, em um ano eleitoral, não houve nenhuma representação do Executivo na mesa de abertura. Para ele, afirmar que Ibaneis Rocha não tinha conhecimento da decisão significaria reconhecer incapacidade de condução política e de enfrentamento da crise envolvendo o BRB.
Fábio Félix argumentou: "Falar que essa pessoa (Ibaneis) não sabia, é falar sobre a incapacidade dessa pessoa de conduzir o processo de solução do BRB e da melhoria do contexto político e da crise. Por que se não sabia não é capaz de ajudar."
Além disso, o deputado acusou o presidente do BRB, Paulo Henrique, de ter mentido à Câmara Legislativa, afirmando que ele prestou informações falsas aos deputados, servidores e à população durante um pronunciamento na Casa. "Ele mentiu descaradamente nesta casa para 24 deputados distritais eleitos, servidores e a população", disse Félix.
Com a análise dos pedidos de impeachment prevista para após o Carnaval, o cenário político no Distrito Federal permanece tenso, enquanto a Câmara Legislativa busca equilibrar os ritos institucionais com as pressões partidárias em um ano marcado por eleições e investigações financeiras.



