Desembargador investigado no STF solicita liberdade a Alexandre de Moraes
O desembargador Macário Júdice, que está preso desde dezembro de 2025 no contexto do caso TH Joias, apresentou um pedido formal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando sua liberdade imediata ou, alternativamente, a conversão de sua prisão para o regime domiciliar com o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. Em sua defesa, Júdice afirma veementemente sua inocência em relação às acusações de envolvimento com o crime organizado, que foram levantadas durante as investigações.
Argumentos da defesa questionam competência do STF
Os advogados de Macário Júdice apresentaram argumentos robustos ao ministro Alexandre de Moraes, destacando que, como desembargador federal, ele possui prerrogativa de foro perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa sustenta que não há, entre os denunciados na investigação que resultou em sua prisão, nenhuma autoridade com foro privilegiado no STF que justifique a competência da Corte Suprema para tratar do caso. Este ponto é central no pedido, pois questiona a legalidade e a jurisdição aplicada ao processo.
Contexto do caso e alegações de inocência
Macário Júdice foi preso sob a acusação de supostamente vazar informações sobre uma operação policial direcionada contra o ex-deputado TH Joias, figura ligada ao Comando Vermelho. No entanto, Júdice nega categoricamente qualquer participação no vazamento. Ele argumenta que o alvo da Operação Zargun já estava ciente da diligência e havia implementado medidas evasivas desde a manhã do dia anterior à deflagração da ação pela Polícia Federal. Esta alegação busca demonstrar que o vazamento não partiu dele, mas possivelmente de outras fontes.
Defesa contesta encontro citado pela Polícia Federal
Um dos pontos cruciais contestados pela defesa é o encontro alegado pela Polícia Federal entre Júdice e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, na Churrascaria Assador. A PF considerou este ato como vital para o vazamento da operação. Contudo, Júdice nega ter estado no local naquele horário, afirmando que, no mesmo período, estava jantando em outro estabelecimento com um grupo de magistrados, advogados e um procurador. A defesa promete comprovar esta versão por meio de testemunhas e dados de localização, que seriam apresentados como evidências no processo.
Investigações paralelas sugerem vazamento interno
Além dos argumentos diretos, a defesa de Macário Júdice aponta para a existência de outras investigações em andamento, como a Operação Anomalia e o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Ministério Público Federal. Estas investigações indicam que o vazamento da Operação Zargun pode ter ocorrido de dentro da própria Polícia Federal, sugerindo uma possível falha interna ou atuação de outros agentes. Este aspecto reforça a tese de inocência de Júdice, ao levantar dúvidas sobre a origem real do vazamento e a precisão das acusações contra ele.
O caso continua sob análise do ministro Alexandre de Moraes, que deverá decidir sobre o pedido de liberdade ou prisão domiciliar. A situação destaca as complexidades jurídicas e as disputas de competência no sistema judiciário brasileiro, especialmente em casos envolvendo altas autoridades e alegações de crime organizado. A defesa mantém a pressão por uma resolução rápida, enfatizando os direitos processuais e a falta de fundamento nas acusações.



