Supremo em crise: Ministros suspeitam de gravações secretas após vazamento de reunião
Crise no STF: Suspeita de gravações secretas em reunião vazada

Crise de confiança abala o Supremo Tribunal Federal após vazamento detalhado

A decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria do inquérito conhecido como caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) não trouxe o alívio esperado para o clima interno da Corte. Pelo contrário, a atmosfera tornou-se ainda mais tensa com uma suspeita grave: ministros passaram a acreditar que reuniões reservadas entre integrantes do STF podem ter sido secretamente gravadas, e que parte substancial do conteúdo teria sido repassada ao portal de notícias Poder360.

Relato minucioso gera espanto e desconfiança

Nesta sexta-feira, 13 de setembro, o jornal digital publicou um relato extremamente detalhado das reuniões realizadas na quinta-feira anterior. A reportagem incluiu informações sobre uma conversa preparatória restrita a apenas cinco ministros: o presidente Luiz Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Após a publicação, diversos ministros confirmaram ao blog que grande parte do texto corresponde fielmente ao que foi discutido, chegando a reproduzir frases literais ditas durante o encontro.

"São frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões. Para quem estava lá, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo aquilo", revelou um ministro sob condição de anonimato. Outro foi ainda mais direto em sua avaliação: "É uma traição, muitas frases são literais. Mas algumas são invenções a favor do próprio vazador".

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Toffoli nega veementemente as acusações

As suspeitas internas recaíram particularmente sobre o ministro Dias Toffoli, especialmente porque o relato publicado teria omitido trechos que seriam negativos para ele. Essa ausência reforçou as desconfianças que circularam pelo tribunal ao longo do dia. Procurado pela GloboNews, Toffoli negou categoricamente a acusação, afirmando que a informação é "totalmente inverídica" e que ele nunca gravou ninguém em sua vida.

A repercussão do caso gerou espanto genuíno entre os membros da Corte. A precisão das informações publicadas, incluindo citações diretas e a sequência dos eventos, alimentou a teoria de que houve uma gravação clandestina das conversas.

Detalhes das reuniões vazadas

Ao todo, três reuniões aconteceram na quinta-feira:

  1. Uma reunião restrita realizada antes do plenário
  2. Duas reuniões após a sessão, com duração de duas horas e vinte minutos e cerca de 30 minutos, respectivamente

É importante destacar que nenhum assessor participou presencialmente desses encontros, o que limita o círculo de possíveis fontes do vazamento.

Segundo o Poder360, na reunião reservada, oito dos dez ministros presentes teriam defendido a permanência de Toffoli no inquérito sobre fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro. Apenas o presidente Fachin e a ministra Cármen Lúcia teriam sido favoráveis à sua saída.

Declarações específicas reproduzidas

A reportagem citou declarações específicas atribuídas aos ministros:

  • Cármen Lúcia teria dito: "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo".
  • Nunes Marques teria afirmado: "Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente [Fachin]".

Após uma intervenção do ministro Flávio Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli teria finalmente aceitado que o melhor seria se afastar da relatoria. Com essa decisão, o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator, uma solução que evitou uma decretação formal de suspeição e preservou os atos já praticados no processo.

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Desdobramentos imediatos

Nesta mesma sexta-feira, o novo relator, ministro André Mendonça, já se reuniu com delegados da Polícia Federal para entender detalhadamente o andamento das investigações do caso Master. A crise de confiança gerada pelo vazamento, no entanto, promete ter consequências duradouras para o funcionamento interno do Supremo Tribunal Federal, levantando questões sobre a privacidade das discussões entre os ministros e a segurança das informações sensíveis tratadas na mais alta corte do país.