A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realizou uma nova alteração no calendário de depoimentos, remarcando a audiência com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Originalmente agendada para o dia 19 de fevereiro, quinta-feira após o Carnaval, a oitiva foi transferida para o dia 26 de fevereiro, representando um adiamento de uma semana.
Mudança anunciada durante entrevista noturna
A decisão foi comunicada ainda durante a noite de terça-feira, dia 3 de fevereiro, quando o presidente da CPMI, senador Carlos Viana do Podemos de Minas Gerais, concedeu uma entrevista anunciando o primeiro adiamento. Inicialmente, a expectativa era que Vorcaro prestasse depoimento nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro.
No lugar do banqueiro, a comissão parlamentar deve ouvir o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, para compreender melhor a atuação do órgão em relação aos créditos consignados, tema central das investigações.
Encontro com ministro do STF e foco da investigação
Na tarde de terça-feira, o senador Carlos Viana teve uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, responsável pelo inquérito sobre o Banco Master. Segundo relatos do presidente da CPMI, o ministro concordou com a liberação de Vorcaro para ser ouvido pela comissão parlamentar.
Na semana passada, Viana afirmou que, apesar do escândalo envolvendo o Banco Master, a CPMI pretende abordar especificamente questões relativas a contratos da instituição para empréstimos consignados. O senador destacou que 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master foram suspensos pelo INSS devido à falta de comprovação da documentação.
"Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização", declarou o parlamentar. Viana também ressaltou que a CPI mista questionará Vorcaro sobre quais medidas foram tomadas para devolver o dinheiro aos clientes prejudicados.
Reclamações contra o Banco Master aumentam significativamente
Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou um documento à CPMI do INSS listando a quantidade de reclamações registradas contra instituições financeiras relacionadas a crédito consignado. O crédito consignado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício do solicitante.
De acordo com os dados apresentados, o Banco Master aparece como a 21ª instituição financeira com mais reclamações na Senacon entre 2019 e 2025, totalizando 5.665 registros. A evolução das reclamações mostra um crescimento preocupante:
- 2019: nenhuma reclamação registrada
- 2020: 11 reclamações
- 2021: 76 reclamações
- 2023: 1.511 reclamações (superando a barreira dos mil apontamentos)
- 2024: 2.472 reclamações (maior quantidade dos últimos anos)
No ano passado, o Banco Master alcançou o oitavo lugar considerando contestações sobre consignado em 2025, ficando à frente de grandes instituições como:
- Caixa Econômica Federal (2.012 reclamações)
- Banco do Brasil (1.992 casos)
- BRB (721 reclamações)
Falta de documentação e bloqueio de recursos
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já cobrou por três vezes, mas ainda não recebeu do Banco Master os documentos que atestem "a existência jurídica e a validade do consentimento" de aposentados e pensionistas relativos a mais de 250 mil empréstimos consignados firmados com o banco.
Na terça-feira, o Ministério Público Federal no Distrito Federal recomendou ao liquidante do banco que reserve valores para restituir descontos indevidos derivados de contratos considerados inválidos pelo INSS. A autarquia bloqueou no dia 26 de novembro de 2025 cerca de R$ 2 bilhões, interrompendo os repasses ao Master, até que a investigação interna sobre esses contratos seja encerrada.
Defesa do Banco Master mantém posição
A defesa de Daniel Vorcaro emitiu uma nota afirmando que "o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento".
A CPMI do INSS continua suas investigações sobre as práticas do Banco Master no mercado de crédito consignado, com o depoimento de Daniel Vorcaro marcado agora para o final de fevereiro, quando o banqueiro terá a oportunidade de esclarecer as questões levantadas pelos parlamentares.



