Alerj debate regulamentação para eleição indireta de governador do Rio
A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realiza uma reunião crucial nesta quarta-feira, às 11 horas, para analisar um projeto de lei complementar que visa regulamentar a eleição indireta para o mandato-tampão de governador do estado. A proposta, apresentada pelo deputado Luiz Paulo (PSD) em junho do ano passado, ganha urgência diante do cenário político atual, marcado por renúncias e mudanças no Executivo fluminense.
Contexto político e necessidade da regulamentação
A situação se desenrola após a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) no início de abril, para concorrer a uma vaga no Senado, a Constituição determina que os deputados estaduais escolham um substituto para completar o mandato até o final do ano. No entanto, essa eleição indireta precisa ser formalmente regulamentada, com base em:
- A Constituição Federal e estadual.
- A Lei Eleitoral vigente.
- Entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF), que tratou do tema em 2022 durante um caso similar em Alagoas.
O relator da proposta será o deputado Rodrigo Amorim (União), líder do governo Castro na Alerj, enquanto o presidente interino da casa, deputado Guilherme Delaroli (PL), afirmou que pretende incluir a matéria na pauta do plenário na última semana de fevereiro, após o período do Carnaval.
Detalhes da proposta e controvérsias
O projeto do deputado Luiz Paulo estabelece regras específicas para a eleição indireta, incluindo:
- Votação secreta entre os deputados estaduais.
- Prazos alinhados com a lei eleitoral, como a exigência de que candidatos estejam há pelo menos seis meses fora de cargos no Executivo.
Essa última regra, em particular, tem gerado debates intensos, pois excluiria da disputa nomes amplamente ventilados, tais como:
- Nicola Miccione, secretário da Casa Civil e preferido de Cláudio Castro.
- Douglas Ruas, secretário das Cidades e apoiado pela família Bolsonaro.
- André Ceciliano, secretário da Presidência da República e candidato potencial do PT.
Em contrapartida, o presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli, declarou-se favorável ao voto aberto, argumentando que os eleitores têm o direito de saber em quem seus representantes votam. Já Luiz Paulo defende a manutenção do prazo de desincompatibilização, alertando que mudanças podem criar insegurança jurídica e levar a disputas no STF, complicando o processo eleitoral.
Implicações e próximos passos
A discussão na CCJ é um passo fundamental para evitar um imbróglio político e legal no Rio de Janeiro. Com a eleição indireta prevista para ocorrer em breve, a definição clara das regras é essencial para garantir uma transição tranquila e democrática. O estado aguarda com atenção o desfecho desta reunião, que pode moldar o cenário governamental até o final do ano.



