Maioria dos brasileiros apoia prisão domiciliar para ex-presidente
Uma pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11) revelou que 59% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria cumprir pena em sua residência, em vez de retornar ao regime prisional fechado. O levantamento, realizado entre 7 e 9 de abril, ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades de todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Divisão de opiniões conforme perfil dos entrevistados
Os dados mostram uma clara divisão nas preferências da população. Enquanto 37% defendem que Bolsonaro volte para a prisão conhecida como Papudinha, 5% dos entrevistados não souberam responder. A pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03770/2026, aponta variações significativas conforme características demográficas e posicionamento político.
Entre os brasileiros com mais de 60 anos, o apoio à prisão domiciliar chega a 61%, enquanto entre empresários atinge impressionantes 81%. Já os jovens de 16 a 24 anos apresentam maior resistência à medida, com 44% preferindo o retorno ao regime fechado. Entre desempregados, essa porcentagem é de 42%.
Diferenças regionais e políticas
No Nordeste, as opiniões se equilibram: 48% preferem a prisão domiciliar e 47% defendem o retorno à Papudinha, com margem de erro de quatro pontos que configura empate técnico. A polarização política também se reflete nos resultados. Entre os que se declaram de centro, 53% apoiam a domiciliar e 41% preferem a prisão comum.
Os mais alinhados ao bolsonarismo apresentam apoio maciço de 94% à prisão domiciliar, com apenas 3% contra. Em contraste, entre os mais identificados com o petismo, 28% preferem o ex-presidente em casa e 68% querem seu retorno ao regime fechado. Essa divisão se mantém quando considerada a intenção de voto: 30% dos eleitores de Lula (PT) defendem a domiciliar, contra 66% que preferem a prisão.
Contexto da decisão judicial
A pesquisa ocorre em meio ao debate sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que no dia 27 de março determinou a prisão domiciliar temporária de 90 dias para Bolsonaro. O ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista após perder a eleição de 2022, cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal até ser internado no dia 13 de março.
O diagnóstico de broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, causada por aspiração devido a crises de soluço, levou a defesa de Bolsonaro a apresentar novo pedido de prisão domiciliar. Michelle Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tiveram reuniões com Moraes para reforçar o pleito, que acabou sendo atendido pelo ministro em caráter humanitário e temporário.
Restrições impostas pela medida
Moraes estabeleceu condições rigorosas para a prisão domiciliar. Bolsonaro é obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar redes sociais ou gravar áudios e vídeos. Também foram vetadas aglomerações em um raio de um quilômetro de sua residência.
O ex-presidente pode receber visitas dos filhos, mas seguindo os mesmos horários e regras da Papudinha: às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Advogados podem visitá-lo diariamente por 30 minutos, mediante agendamento prévio com a Polícia Militar. Médicos têm acesso livre, mas outras visitas estão proibidas durante os 90 dias para preservar a saúde de Bolsonaro e evitar infecções.
Essas regras são mais restritivas do que as vigentes na Papudinha, onde o ex-presidente recebia aliados para discutir o cenário eleitoral. Por esse motivo, conforme revelado pela Folha, a defesa estuda recorrer da decisão. O descumprimento de qualquer medida cautelar poderá resultar no retorno imediato ao regime fechado, conforme alertou o ministro Moraes.
Impacto no cenário eleitoral
O mesmo levantamento do Datafolha mostrou mudanças significativas no cenário eleitoral. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou numericamente Lula em um possível segundo turno, com 46% contra 45% do petista. Quando o rival é Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), o mandatário marca 45% a 42%. Todos os resultados configuram empates dentro da margem de erro.
Entre eleitores declarados de Flávio Bolsonaro, 93% defendem que o pai do senador cumpra pena em casa, com apenas 5% preferindo o retorno à Papudinha. Já os eleitores de Caiado se dividem entre 80% pela permanência de Bolsonaro em casa e 15% pela volta dele à prisão.
A pesquisa revela não apenas as opiniões divididas sobre o caso Bolsonaro, mas também um cenário político em transformação, com desgastes internos e realinhamentos que prometem impactar as eleições deste ano.



