O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, anunciou a libertação de mais 24 presos políticos nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026. Com isso, o número total de solturas desde o anúncio inicial sobe para pelo menos 41. As autoridades de Caracas também prometeram que mais 116 pessoas deixarão as prisões em breve.
Um gesto unilateral pela paz?
O Ministério dos Serviços Penitenciários venezuelano emitiu um comunicado afirmando que as libertações beneficiaram indivíduos detidos por atos associados a perturbar a ordem constitucional. No entanto, o governo interino sustenta que a medida é um "gesto de busca pela paz" unilateral e não faz parte de qualquer acordo com os Estados Unidos.
Este processo de solturas começou a ser anunciado na semana passada, logo após um evento de grande impacto: a captura e deposição do ex-ditador Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Maduro foi levado para Nova York, onde responde a um processo por narcoterrorismo.
Libertações a conta-gotas e alerta de ONG
Apesar dos anúncios, o ritmo das libertações tem sido lento, gerando críticas de organizações de direitos humanos. A ONG venezuelana Foro Penal, que monitora os casos, confirmou os 24 liberados nesta segunda-feira.
Nove mulheres saíram do centro penitenciário de Las Crisálidas e 15 homens da prisão de Rodeo I, incluindo o cidadão italiano Alberto Trentini. Alfredo Romero, diretor do Foro Penal, foi quem divulgou os detalhes.
Os números, porém, mostram a dimensão do desafio. De acordo com dados da mesma ONG, em 5 de janeiro, havia 806 pessoas registradas como presos políticos na Venezuela. As 41 libertações realizadas até o momento representam apenas uma pequena fração desse total.
Cenário político e encontro no Vaticano
O anúncio inicial das libertações foi feito na última quinta-feira, 8 de janeiro, pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A ação ocorre em um contexto de profunda transformação política no país, após a intervenção americana e a instalação do governo interino.
Enquanto isso, em outro front diplomático, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi recebida no Vaticano pelo papa Leão XIV. O pontífice, primeiro americano a ocupar o cargo, defendeu em um discurso recente que a Venezuela permaneça "um país independente".
Em sua fala, ele também condenou o uso da força militar para alcançar objetivos diplomáticos – uma crítica indireta à ação dos EUA – e pediu a proteção dos direitos humanos no país sul-americano.
María Corina Machado, ex-deputada, foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024 pelo regime de Maduro. Ela apoiou o candidato Edmundo González Urrutia, que, segundo pesquisas independentes, venceu o pleito com cerca de 70% dos votos, em uma eleição marcada por acusações de fraude.
O cenário na Venezuela segue em fluxo, com as libertações políticas atuando como um termômetro das intenções do novo governo interino e das pressões internacionais por uma transição.