Venezuela liberta 17 presos políticos em processo lento sob pressão dos EUA
Venezuela liberta 17 presos políticos em processo lento

A principal coalizão de oposição da Venezuela, a Plataforma Unidade, informou neste sábado, 10 de janeiro de 2026, que 17 presos políticos foram libertados. A ação faz parte de um processo de solturas anunciado pelo governo de Nicolás Maduro, que avança de forma lenta e sob forte pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos.

Processo lento e falta de transparência

O anúncio foi feito pela Plataforma Unidade através de sua conta na rede social X, antigo Twitter. A publicação, no entanto, não especificou os nomes dos indivíduos libertados. Enquanto isso, outras organizações não governamentais que monitoram a situação no país relatam números diferentes, indicando a libertação de 12 pessoas de um total que varia entre 800 e 1.200 detidos considerados presos políticos.

A lentidão e a falta de informações claras têm causado grande angústia. Dezenas de famílias estão acampadas há dois dias do lado de fora de centros de detenção, como o complexo El Rodeo I, nos arredores de Caracas, na esperança de receber notícias de seus entes queridos. Relatos indicam que os guardas desses locais alegam não ter conhecimento sobre os processos de libertação.

Em um comunicado, a Plataforma Unidade exigiu celeridade: “Exigimos que os processos de libertação sejam acelerados para que o sofrimento dos presos políticos e de suas famílias finalmente termine”.

Primeiros nomes conhecidos e pedido por lista completa

O governo venezuelano havia anunciado na quinta-feira, 8 de janeiro, a libertação de um “número significativo” de detidos, incluindo estrangeiros. Contudo, 48 horas após o anúncio oficial, o progresso era considerado mínimo pela oposição e por observadores internacionais.

Entre os primeiros libertados cujos nomes vieram a público estão figuras conhecidas:

  • Enrique Márquez, ex-candidato presidencial, solto junto com o dirigente Biagio Pilieri.
  • Rocío San Miguel, ativista com dupla cidadania, libertada com outros quatro espanhóis e que já viajaram para Madri.
  • Virgilio Valverde, médico e coordenador da juventude do partido da Nobel da Paz María Corina Machado, libertado no estado de Bolívar, conforme informou a ONG Foro Penal.
  • Didiles Corredor, presa desde julho de 2023.

Diante da fragmentação das informações, a ONG Justicia, Encuentro y Perdón fez um apelo direto às autoridades. A organização exige que seja publicada uma lista completa com os nomes de todos os libertados, seus locais de detenção e as condições da soltura. Além disso, pede que quaisquer anúncios futuros sejam feitos de forma verificável, “sem gerar falsas expectativas”.

Silêncio do governo e contexto internacional

Até o momento, o governo venezuelano não se pronunciou oficialmente nem respondeu aos questionamentos da imprensa internacional sobre os detalhes e o ritmo do processo de libertação. A medida é vista como uma resposta às pressões diplomáticas e econômicas, principalmente dos Estados Unidos, que condicionam alívio de sanções a gestos concretos do governo Maduro em direção a eleições livres e ao respeito aos direitos humanos.

A situação expõe a crise humanitária e política persistente na Venezuela, onde a libertação de presos políticos é um dos pontos mais sensíveis nas negociações entre o governo e a oposição. O sofrimento das famílias que aguardam do lado de fora das prisões simboliza o custo humano de um processo que, apesar de iniciado, ainda está longe de trazer um alívio definitivo.