Vídeo vazado revela bastidores da cúpula chavista e ameaças de morte após captura de Maduro
Vídeo vaza bastidores chavistas e ameaças após captura de Maduro

Vídeo vazado expõe segredos da cúpula chavista e ameaças à líder interina da Venezuela

Um material audiovisual vazado revelou os bastidores tensos da cúpula governista venezuelana nos dias seguintes à captura do ditador Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A gravação, divulgada pelo veículo local La Hora de Venezuela nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, mostra uma reunião estratégica com influenciadores alinhados ao regime, realizada aproximadamente uma semana após o evento que abalou o chavismo.

Ultimato americano com prazo de 15 minutos

No vídeo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, participa por telefone em viva-voz enquanto o então ministro das Comunicações, Freddy Ñáñez, conduz o encontro. Em um dos trechos mais impactantes, Rodríguez relata que ela e outros membros do alto escalão chavista receberam um ultimato direto das autoridades americanas.

"Desde o primeiro minuto em que levaram o presidente, começaram as ameaças", afirma Delcy no áudio. Segundo seu relato, os representantes dos Estados Unidos teriam dado apenas quinze minutos para que ela, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o presidente do Congresso Jorge Rodríguez respondessem às exigências apresentadas. "Ou nos matariam", complementa a líder interina, descrevendo a situação como um risco iminente de morte.

Contradições na narrativa oficial

O material expõe as profundas contradições do regime chavista neste momento crítico. Enquanto Delcy Rodríguez adota publicamente um discurso duro contra os Estados Unidos em canais oficiais e redes sociais, nos bastidores ela cumpre exigências da Casa Branca e até recebe elogios do presidente americano Donald Trump.

Na gravação, a presidente interina admite que sua prioridade imediata era política, com três objetivos claros:

  1. Preservar a paz no país
  2. Resgatar os "reféns" (referindo-se a Maduro e à primeira-dama Cilia Flores)
  3. Unificar a base de apoio do chavismo

Rodríguez revela ainda que, inicialmente, os americanos teriam informado que Maduro e Flores haviam sido assassinados - e não capturados - ao que ela respondeu estar pronta para "compartilhar o mesmo destino".

Esforço para controlar a narrativa

Antes de conectar Delcy Rodríguez ao viva-voz, Freddy Ñáñez faz um apelo direto aos influenciadores presentes na reunião. O então ministro pede que interrompam "fofocas, rumores e tentativas de desacreditá-la", destacando que a presidente interina é peça fundamental para evitar o colapso total do regime.

Ñáñez tenta enquadrar a cooperação com Washington como parte de uma estratégia previamente desenhada pelo próprio Maduro, alertando contra setores mais radicais do chavismo que poderiam acusar a cúpula de traição. "Ela é chave para permitir uma reorganização do chavismo após a captura de Maduro", argumenta o ministro.

Repercussões e dúvidas sobre as ameaças

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional manifestam ceticismo quanto à veracidade das ameaças de morte relatadas por Delcy Rodríguez. Analistas políticos sugerem que o discurso pode servir principalmente para:

  • Manter a base chavista unida em momento de fragilidade
  • Justificar negociações secretas com os Estados Unidos
  • Criar uma narrativa de resistência sob pressão extrema

Dias após a reunião gravada, Freddy Ñáñez foi deslocado para o Ministério do Meio Ambiente, enquanto seu sucessor criou um novo perfil nas redes sociais com o objetivo declarado de "defender a verdade sobre a Venezuela". Este movimento demonstra que, mesmo sem Maduro no comando direto, o esforço para controlar a narrativa permanece como objetivo central do regime que governa o país há mais de duas décadas.

Contexto geopolítico em evolução

O vídeo vazado surge em um momento de transformação nas relações entre Venezuela e Estados Unidos. Enquanto Delcy Rodríguez prepara uma viagem a Washington segundo autoridades americanas, o presidente Donald Trump anunciou que empresas dos Estados Unidos começarão a perfurar petróleo na Venezuela "em breve".

Trump afirmou ainda que o país já obteve milhões de barris de petróleo venezuelano sancionado após a captura de Maduro, indicando que as negociações nos bastidores avançam paralelamente às declarações públicas de confronto. Esta dualidade revela a complexidade do momento político venezuelano, onde sobrevivência do regime e interesses estratégicos se entrelaçam em meio a acusações graves e manobras diplomáticas delicadas.