Brasil condena repressão violenta no Irã pela primeira vez em Conselho da ONU
Brasil condena repressão no Irã pela primeira vez na ONU

Brasil condena repressão violenta no Irã pela primeira vez em Conselho da ONU

Em um posicionamento histórico, a representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou formalmente a repressão violenta contra manifestantes no Irã nesta sexta-feira (23). Esta é a primeira vez, desde o início da onda mais recente de protestos no país persa em dezembro, que a diplomacia brasileira emite uma condenação explícita ao uso da força.

Pronunciamento do embaixador brasileiro

O embaixador do Brasil na ONU em Genebra, Tovar da Silva Nunes, afirmou em discurso: "Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo. Notamos que bloqueios da internet violam o direito de liberdade de expressão, incluindo de acesso à informação." Anteriormente, as manifestações do governo brasileiro limitavam-se a afirmar que acompanhavam com preocupação os protestos e lamentavam as mortes.

Abstenção em votação de resolução

Apesar da condenação verbal, a diplomacia brasileira absteve-se na votação de uma resolução levada ao conselho e patrocinada por países críticos do regime iraniano, como Alemanha, Islândia, Reino Unido, Macedônia do Norte e Moldova. O texto, aprovado por 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções, pede a extensão de investigações sobre eventuais violações de direitos humanos no Irã.

Posicionamento histórico do Brasil

O posicionamento condiz com o histórico recente brasileiro em temas correlatos envolvendo o Irã. "O Brasil sustenta que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar o futuro do país. Reitera sua condenação a medidas unilaterais coercitivas contra o Irã. Ressaltamos que essas medidas impactam negativamente os direitos humanos da população e exacerbam os desafios econômicos do país, que servem de pano de fundo para as atuais manifestações", concluiu o embaixador.

Contexto das ressalvas brasileiras

As ressalvas sobre ações unilaterais podem se referir tanto às sanções contra o Irã, tradicionalmente criticadas pela diplomacia brasileira, como às ameaças recentes do governo de Donald Trump de usar a força contra Teerã. Os EUA movimentaram caças e navios de guerra para regiões próximas do Irã, aumentando as tensões na área.

Sessão extraordinária da ONU

A sessão extraordinária do conselho da ONU foi apoiada por ao menos 50 países para abordar os relatos de violência, repressão e violações de direitos humanos no país persa. As manifestações tomaram as ruas de Teerã e dezenas de outras cidades, gerando uma resposta internacional significativa.

Declarações de autoridades internacionais

O comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, afirmou: "Insto as autoridades iranianas a reconsiderar, recuar e colocar um fim à sua brutal repressão", chamando a repressão de "um padrão de sujeição e força esmagadora que não pode nunca abordar adequadamente as queixas e frustrações do povo." Já o representante do Irã na sessão criticou a reunião, acusando os patrocinadores de não se importarem genuinamente com os direitos humanos dos iranianos.

Balanço oficial e relatos independentes

Na quarta-feira (21), o regime iraniano afirmou que as manifestações foram suprimidas e divulgou um balanço oficial de 3.000 mortes. No entanto, organizações de direitos humanos sediadas fora do país defendem que o número é muito maior. Grupos de direitos humanos afirmam que milhares de pessoas, incluindo transeuntes que não participavam dos protestos, foram mortos durante os distúrbios.

Evolução dos protestos

O movimento foi inicialmente desencadeado no final de dezembro em meio ao colapso da economia e da moeda local, o rial, mas se transformou em um movimento mais amplo contra a teocracia. Um apagão da internet e um fluxo de desinformação tornaram difícil avaliar de forma independente o que se passou no Irã.

Cenário atual no Irã

Nos últimos dias, testemunhas e grupos de direitos humanos descreveram um silêncio sinistro gradualmente se instalando sobre o país, com lojas e escolas abrindo em meio a uma forte presença de segurança nas ruas. A declaração do regime integra uma série de movimentos públicos para reforçar a ideia de que os distúrbios foram completamente subjugados.

Proposta da ONU

A proposta perante o órgão da ONU busca estender por dois anos o mandato de uma investigação da ONU estabelecida em 2022 após a grande onda anterior de protestos no país persa. Esta medida visa garantir a continuidade do monitoramento internacional sobre a situação dos direitos humanos no Irã.