Trump publica vídeo com casal Obama como macacos e governo atribui a 'erro'
Vídeo de Trump com Obamas como macacos é atribuído a erro

Governo Trump atribui a 'erro' vídeo que retrata Obamas como macacos

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que a publicação de um vídeo que retrata o ex-presidente Barack Obama e sua esposa, Michelle Obama, como macacos foi um "erro" cometido por um funcionário. A declaração foi dada à agência Reuters por um integrante da Casa Branca, após a postagem ter sido removida da plataforma Truth Social.

Postagem controversa e reações imediatas

Embora o vídeo tenha sido publicado na conta pessoal de Donald Trump em sua rede social Truth Social, um representante da Casa Branca esclareceu à Reuters que a postagem foi feita por um funcionário do governo norte-americano "de forma errônea". A publicação rapidamente gerou uma onda de condenação, não apenas de líderes democratas, mas também de republicanos, que criticaram o conteúdo considerado racista.

Em comunicado anterior, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia rejeitado o que chamou de "indignação falsa" dos críticos. "Trata-se de um vídeo de meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão. Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano", afirmou Leavitt em nota à AFP.

Conteúdo do vídeo e alegações falsas

O vídeo, com duração de um minuto, apresenta uma teoria da conspiração sobre as eleições e, ao final, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por aproximadamente um segundo. A canção "The Lion Sleeps Tonight" toca ao fundo durante a exibição do casal Obama, que não tem relação direta com as alegações feitas por Trump no material.

O conteúdo repete alegações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems teria ajudado a roubar a eleição de 2020 de Donald Trump. A postagem recebeu milhares de curtidas nas primeiras horas após sua publicação, evidenciando o rápido engajamento na plataforma.

Condenações de ambos os lados do espectro político

O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, condenou veementemente a publicação, classificando-a como "comportamento repugnante". Em publicação na rede social X, a conta do gabinete de imprensa de Newsom afirmou: "Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora".

Tim Scott, o único senador negro do Partido Republicano, também se manifestou, descrevendo o vídeo como "a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca". Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, acrescentou: "Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história".

Contexto histórico e uso de imagens de IA

Barack Obama é o único presidente negro na história dos Estados Unidos e tem apoiado a rival de Trump, Kamala Harris, na disputa eleitoral de 2024. Este incidente ocorre em um contexto onde, no primeiro ano de seu segundo mandato, Trump intensificou o uso de imagens geradas por Inteligência Artificial na Truth Social e em outras plataformas.

Essas publicações frequentemente buscam celebrar seu nome e ridicularizar críticos, como evidenciado por vídeos anteriores que mostraram Barack Obama sendo detido no Salão Oval e Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, com um bigode falso e chapéu – este último classificado como racista pelo próprio Jeffries.

Agenda 'anti-woke' e políticas de diversidade

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem sido alvo de críticas por liderar uma campanha contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras medidas de seu segundo governo foi encerrar todos os programas de DEI do governo federal, incluindo políticas de diversidade nas Forças Armadas.

A medida, descrita por Trump como o fim de iniciativas "woke", também resultou na retirada de dezenas de livros que abordam a história da discriminação nos Estados Unidos das bibliotecas das academias militares. Esses programas federais nasceram da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, em busca de igualdade e justiça após séculos de escravidão e formas institucionais de racismo.

A publicação do vídeo e as reações subsequentes destacam as tensões raciais e políticas que continuam a moldar o cenário norte-americano, com implicações significativas para o debate público e as relações interpartidárias.