Trump Subestima Resistência Iraniana e Brasil Enfrenta Crise Petrolífera com Petrobras
Trump Subestima Irã e Brasil Lida com Crise Petrolífera

A Estratégia Americana e a Inesperada Resistência Iraniana

A obsessão do presidente Donald Trump em conter o crescimento da China e manter a hegemonia dos Estados Unidos levou a uma série de ações geopolíticas agressivas. Economistas apontam que, pela paridade do poder de compra, a economia chinesa já superou a americana. Inicialmente, Trump acreditava que tarifas comerciais freariam as exportações chinesas e asiáticas, revigorando a produção "made in USA". Embora as exportações chinesas tenham caído em 2025, a economia do país resistiu, e as tarifas foram posteriormente derrubadas pela Suprema Corte.

Os planos de Trump incluíam controlar rotas estratégicas como o Canal do Panamá e anexar territórios como Canadá e Groenlândia, visando monopolizar terras raras e minerais críticos essenciais para a China. A dependência chinesa de energia fóssil, como carvão e petróleo, mesmo com investimentos em renováveis, a torna vulnerável a interrupções no fornecimento desses recursos.

O ataque à Venezuela, para controlar as maiores reservas de petróleo do mundo, e a ofensiva contra o Irã, incentivada por Israel para destruir seu poderio bélico, faziam parte dessa estratégia. Trump mirava não apenas aniquilar a capacidade nuclear iraniana, mas também devolver o país à "idade da pedra" e controlar sua vasta reserva petrolífera, afetando grandes compradores como China e Índia.

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Celebração Prematura e Reveses Militares

Em pronunciamento, Trump declarou vitória, afirmando que as forças americanas dizimaram a força aérea e a defesa aérea do Irã, além de aniquilar sua marinha. Isso causou uma baixa nos preços futuros do petróleo até 2033. Com arrogância característica, ele anunciou planos de bombardear instalações elétricas iranianas – um crime de guerra pelas normas da ONU – e declarou que os EUA, autossuficientes em petróleo, deixariam a Europa e a Ásia lidarem com a liberação do Estreito de Ormuz.

Contudo, a celebração foi prematura. Na Sexta-Feira Santa, os EUA sofreram um duplo revés: um bombardeiro F-15E, avaliado em mais de US$ 140 milhões, foi abatido pelo Irã, com um piloto resgatado e outro desaparecido. Um segundo caça, A-10 Warthog, de US$ 25 milhões, caiu no Golfo Pérsico. Esses eventos demonstraram a persistente capacidade defensiva iraniana, fazendo os preços do petróleo voltarem a subir. O Wall Street Journal destacou que o controle do Estreito de Ormuz será decisivo para o desfecho da guerra.

O Brasil Diante das Crises Petrolíferas

Analisando os quatro grandes choques do petróleo – 1973, 1979, 2022 e 2026 –, o Brasil está significativamente mais preparado, graças à Petrobras. Em 1973, com apenas 15% de autossuficiência, o país investiu em hidroelétricas e introduziu o álcool na gasolina para reduzir dependência. A descoberta da Bacia de Campos em 1974, porém, só rendeu produção nos anos 80.

Na crise de 1978-79, agravada pela guerra Irã-Iraque, o ministro Delfim Neto desvalorizou a moeda em 30%, mas a inflação dos combustíveis disparou com a ascensão dos aiatolás no Irã. A década perdida dos anos 80 só foi superada com a produção do pré-sal, que garantiu autossuficiência e estabilizou a moeda no Plano Real de 1994.

A crise financeira de 2008 abalou a indústria petrolífera, atrasando projetos da Petrobras. O impeachment de Dilma Rousseff abriu caminho para privatizações, e o governo Temer instituiu o PPI (Paridade de Preços Internacionais), indexando preços domésticos aos internacionais. Em 2018, greves de caminhoneiros protestaram contra a volatilidade do diesel, e Jair Bolsonaro, eleito com seu apoio, manteve o PPI com ajustes.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 elevou os preços, levando Bolsonaro a demitir cinco presidentes da Petrobras e cortar impostos federais e estaduais, sem sucesso eleitoral. Com a eleição de Lula, Jean Paul Prates assumiu a Petrobras e "abrasileirou" os preços dos combustíveis em maio de 2023, usando mais petróleo leve do pré-sal nas refinarias.

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Pressões de Mercado e Estratégias Governamentais

Com o ataque ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, o petróleo subiu acima de US$ 100, pressionando reajustes. Importadores e o mercado financeiro, que se beneficia de inflação alta em papéis pós-fixados, torcem por aumentos. O governo respondeu com subsídios ao diesel e apoio a estados, enquanto a Petrobras ofereceu crediário para querosene de aviação, visando amortecer impactos inflacionários.

O Tesouro recomprou R$ 40 bilhões em títulos para conter o custo da dívida pública, que consome R$ 1 trilhão anualmente em juros. A guerra afeta também fertilizantes, cruciais para o agronegócio a partir de agosto. O Itaú revisou projeções, elevando a inflação para 4,5% e reduzindo expectativas de queda da Selic, citando petróleo alto como fator.

Panorama Político e Soberania Brasileira

Em ano eleitoral, Lula articula trocas ministeriais, com titulares se desincompatibilizando para concorrer a cargos. Fernando Haddad, que reduziu impostos indiretos e isentou a classe média de IR, disputa o governo de São Paulo, fortalecendo Lula no maior colégio eleitoral.

Lula ganhou bandeira de defesa da soberania após pressões de Trump, influenciado pelo clã Bolsonaro. Após tarifas, o alvo agora é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central que concorre com bandeiras americanas de cartão. Lula defende a Petrobras, terras raras e o Pix como símbolos de autonomia nacional.

No cenário político, o lançamento da candidatura de Ronaldo Caiado pelo PSD foi marcado por silêncio sobre sua proposta de anistia a Jair Bolsonaro e envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, sem o apoio esperado da plateia, um sinal revelador do clima eleitoral.