Encontro em Miami reúne líderes aliados de Trump e marca nova frente contra o narcotráfico
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou um encontro significativo com aliados políticos da América Latina durante a Cúpula "Escudo das Américas", realizada em Miami, Flórida. O evento, que ocorreu no campo de golfe de Trump, reuniu líderes de doze países da região, todos identificados com o trumpismo e suas políticas.
Foto histórica com presidentes e presidente eleito
Para registro do momento, foi tirada uma foto de família que incluiu figuras proeminentes:
- Donald Trump, ex-presidente dos EUA
- Luis Abinader, presidente da República Dominicana
- Javier Milei, presidente da Argentina
- Nayib Bukele, presidente de El Salvador
- Mohamed Irfaan Ali, presidente da Guiana
- Rodrigo Chaves Robles, presidente da Costa Rica
- Rodrigo Paz, presidente da Bolívia
- José Antonio Kast, presidente eleito do Chile
Vale destacar que o Brasil não recebeu convite para participar desta reunião estratégica.
Críticas a Cuba e Irã e elogios a aliados
Durante seus discursos, Trump voltou a criticar duramente os regimes de Cuba e do Irã. Sobre a ilha caribenha, afirmou: "Estamos ansiosos pela grande mudança que em breve virá para Cuba. Cuba está no fim da linha, realmente no fim da linha. Eles não têm dinheiro, não têm petróleo. Têm uma filosofia ruim, têm um regime ruim. E isso já é assim há muito tempo."
Em relação ao Irã, o ex-presidente americano defendeu que o país está muito perto de conseguir uma bomba atômica, repetindo um discurso similar ao do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, mas sem apresentar provas concretas. Trump justificou sua posição afirmando simplesmente que "os iranianos são más pessoas".
Paradoxalmente, Trump também fez elogios públicos a líderes que não estavam presentes no encontro, incluindo a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmando que esta última "está indo bem ao trabalhar junto com os americanos".
Nova coalizão contra cartéis de drogas
Trump descreveu o encontro como a formação de uma coalizão para combater os cartéis de drogas na região, identificando o México como o epicentro da violência relacionada ao narcotráfico. "O tráfico orquestra muito do derramamento de sangue e no caos desse hemisfério", declarou.
Entre os participantes, destacou-se a presença de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que ganhou notoriedade internacional por ordenar a prisão de dezenas de milhares de pessoas acusadas de pertencerem a gangues ligadas ao narcotráfico.
Mudanças na equipe e objetivos geopolíticos
O encontro também marcou a apresentação de Kristi Noem, ex-secretária de Segurança Interna demitida na quinta-feira anterior, que agora atuará como enviada especial na coordenação dessa nova frente de atuação americana na região.
Além do combate ao narcotráfico, Trump deixou claro que a iniciativa tem objetivos geopolíticos mais amplos, incluindo reforçar cooperações para conter a influência política e econômica da China na América Latina. Como exemplo, citou a prisão de Nicolas Maduro no mês anterior como "apenas o primeiro passo", lembrando que a Venezuela vendia petróleo para os chineses, assim como o Irã, que seria o próximo alvo.
Contexto regional e ausências notáveis
A Cúpula "Escudo das Américas" ocorre em um momento de crescente preocupação com o fluxo de drogas da América Latina para os Estados Unidos, que motivou inclusive discussões sobre envio militar à região. Curiosamente, as substâncias mais consumidas nos EUA não vêm da Venezuela, país frequentemente citado nas críticas de Trump.
A ausência do Brasil e a presença seletiva de líderes regionais refletem as alianças políticas cuidadosamente construídas pela administração Trump, que busca consolidar uma frente conservadora e alinhada com seus interesses estratégicos no hemisfério.



