Ex-presidente norte-americano insiste em papel ativo na definição do futuro do Irã
Em uma conversa telefônica revelada nesta quinta-feira (5) ao jornal Axios, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que precisa estar pessoalmente envolvido na escolha do próximo líder supremo do Irã. A afirmação ocorre em um momento de grande instabilidade na região, após a morte de Ali Khamenei e o fechamento do estreito de Ormuz.
Críticas diretas ao candidato natural
"Estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso pluma", disparou Trump durante a ligação, que teria durado aproximadamente oito minutos. O ex-mandatário se referia a Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, que emergiu como principal candidato à sucessão após anos dedicados a construir relações com a Guarda Revolucionária e o clero iraniano.
Trump foi ainda mais enfático ao afirmar: "O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã". Ele comparou a situação com sua atuação na Venezuela, mencionando explicitamente o caso de Delcy Rodríguez.
Defesa de participação ativa no processo
Em declarações posteriores à agência Reuters, o ex-presidente repetiu e ampliou sua posição: "queremos participar no processo de escolha da pessoa que vai liderar o Irã no futuro. Não precisamos estar repetindo isto a cada cinco anos... Alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país".
Trump reconheceu que ainda é muito cedo no processo de sucessão, mas manteve sua defesa por uma intervenção direta. Atualmente, o Conselho de Liderança Iraniano assume temporariamente o comando do país, sem que um sucessor permanente tenha sido anunciado oficialmente.
Contexto de crise regional
A morte de Ali Khamenei, que governava o Irã desde 1989, ocorreu em um bombardeio no último sábado, durante os primeiros momentos da ofensiva israelo-americana. Desde então, o país adotou medidas drásticas:
- Fechamento do estratégico estreito de Ormuz
- Lançamento de ataques de retaliação contra alvos em Israel
- Ataques a bases norte-americanas na região
- Ofensivas contra infraestruturas em países como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos
Incidentes com projéteis iranianos também foram registrados em Chipre e na Turquia, ampliando o alcance do conflito. Os números são alarmantes: desde o início das hostilidades, mais de mil mortos foram contabilizados, a maioria cidadãos iranianos.
Prioridades geopolíticas declaradas
Em suas declarações, Trump também estabeleceu claramente suas prioridades: "Queremos acabar com o Irã primeiro, mas Cuba é uma questão de tempo". A afirmação revela uma hierarquia de preocupações na política externa que ele defende, colocando o caso iraniano como urgência máxima.
O ex-presidente não detalhou como exatamente pretende se envolver no processo de escolha do próximo líder supremo do Irã, mas deixou claro que considera essa participação essencial para o futuro da região e para os interesses norte-americanos.
