Trump avalia envio de segundo porta-aviões para o Oriente Médio em meio a tensões com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (10) que está considerando o envio de um segundo grupo de porta-aviões para a região do Oriente Médio, uma medida que intensifica a pressão sobre o Irã enquanto os dois países se preparam para retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Ampliação da presença militar e ameaças de ação dura
Em entrevistas concedidas ao Canal 12 israelense e ao site americano Axios, o líder republicano deixou claro que está pronto para agir militarmente caso as discussões não produzam resultados satisfatórios. "Ou chegamos a um acordo, ou teremos de fazer algo muito duro", afirmou Trump, reforçando seu tom assertivo.
Os Estados Unidos já haviam deslocado um grupo de ataque centrado no porta-aviões USS Abraham Lincoln para o mar da Arábia, onde realiza treinamentos há quase duas semanas. Durante esses exercícios, um de seus caças F-35 abateu um drone iraniano que se aproximava da embarcação.
Estratégia de cerco militar e movimentação de forças navais
A estratégia de Trump incluiu a mobilização do USS George H. W. Bush, que estava na costa leste americana e agora manobra no Atlântico, posicionando-se para eventualmente avançar ao teatro de operações via Mediterrâneo oriental. Essa movimentação visa fechar os flancos sul e oeste do Irã.
Recentemente, uma terceira opção surgiu com o deslocamento do USS George Washington, atualmente no Pacífico. Tanto esse navio quanto o George H. W. Bush estão a aproximadamente uma semana de distância de uma posição de ataque contra o Irã, demonstrando a rapidez com que as forças americanas poderiam agir.
Contexto histórico e escalada das tensões nucleares
Trump vem construindo um cerco militar contra Teerã desde o início do ano, inicialmente prometendo apoio a manifestantes reprimidos no país. Após um período de distração com temas como a aquisição da Groenlândia, ele retomou o foco no programa nuclear iraniano, emitindo um ultimato aos líderes do país.
O acordo nuclear de 2015, que previa o enriquecimento de urânio apenas para fins pacíficos em troca do alívio de sanções, foi abandonado por Trump em 2018. Desde então, as tensões escalaram, com o Irã acumulando 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível abaixo do necessário para bombas totalmente eficazes, mas suficiente para causar danos significativos e espalhar radiação.
Negociações atuais e posições divergentes
As negociações indiretas começaram na semana passada em Omã, com o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmando que há um entendimento para continuar o processo diplomático. No entanto, não há data definida para a próxima reunião.
Enquanto Trump exige o fim completo do programa nuclear, o líder supremo iraniano Ali Khamenei rejeita essa possibilidade. Propostas alternativas, como a diluição do urânio existente ou seu envio para a Rússia, ainda não foram concretizadas, mantendo o jogo de tensões administradas.
Impactos econômicos e alianças regionais
As incertezas geopolíticas já refletem no mercado, com o preço do petróleo Brent subindo de cerca de US$ 60 para quase US$ 70 o barril nos últimos dias, devido ao risco de interrupções nas rotas de escoamento em caso de conflito.
Nesta quarta-feira (11), Trump receberá o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, que busca garantir que não apenas o programa nuclear, mas também as capacidades de mísseis balísticos do Irã sejam discutidos. Netanyahu estaria disposto a entrar em conflito mesmo sem o apoio dos EUA se não houver avanços nessa direção, segundo a imprensa israelense.
Os negociadores iranianos, por sua vez, insistem que apenas o programa nuclear está em pauta, recusando-se a debater suas forças convencionais. Essa divergência de prioridades pode complicar ainda mais as já delicadas tratativas diplomáticas.