Ex-presidente dos EUA defende funcionário e minimiza gravidade de conteúdo considerado racista
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova polêmica ao afirmar publicamente que o funcionário da Casa Branca responsável por postar um vídeo racista mostrando o casal Barack e Michelle Obama como macacos não será punido ou demitido. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (12) e intensificou a onda de repúdio que já vinha crescendo desde a publicação do material na semana anterior.
Vídeo permaneceu no ar por 12 horas antes de ser removido
O conteúdo ofensivo foi publicado no perfil oficial de Trump em sua rede social Truth Social na noite do dia 5 de março. Inicialmente, a equipe do ex-presidente tentou minimizar o episódio, classificando-o como um simples "meme da internet". No entanto, após fortes críticas inclusive de aliados políticos, o governo mudou sua versão, alegando que a postagem havia sido feita por engano por um funcionário.
O vídeo ficou disponível por aproximadamente doze horas antes de ser finalmente removido na tarde de sexta-feira (6). Durante esse período, acumulou milhares de curtidas na plataforma, enquanto a controvérsia ganhava proporções nacionais.
Trump defende conteúdo e evita responsabilização
Questionado por jornalistas sobre possíveis punições ao funcionário envolvido, Trump foi categórico: "Não, ele não será demitido ou punido". O republicano ainda tentou justificar o material afirmando que se tratava de um vídeo sobre fraude eleitoral que utilizava referências ao filme "O Rei Leão".
"Era um vídeo sobre fraude eleitoral. Tinha a ver com O Rei Leão. Era uma obra muito impactante sobre fraude eleitoral", declarou Trump, minimizando a gravidade das imagens que mostravam os rostos dos Obamas sobrepostos a corpos de macacos.
Repercussão política atravessa linhas partidárias
A polêmica gerou condenações de ambos os lados do espectro político americano. Tim Scott, único senador negro do Partido Republicano, classificou o vídeo como "a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca". Já o gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, condenou o que chamou de "comportamento repugnante".
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também se manifestou nas redes sociais: "Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados, porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história".
Conteúdo do vídeo e alegações falsas
A gravação de aproximadamente um minuto apresentava teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020, repetindo alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria ajudado a roubar a vitória eleitoral de Trump. Ao final do material, os rostos do casal Obama apareciam sobrepostos a corpos de macacos por cerca de um segundo, com a canção "The Lion Sleeps Tonight" tocando ao fundo.
Barack Obama, único presidente negro na história dos Estados Unidos, atualmente apoia a candidatura de Kamala Harris nas eleições de 2024. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, tentou classificar a repercussão como uma "distração" durante entrevista à Fox News.
Contradições na narrativa oficial
As explicações oferecidas pela equipe de Trump apresentaram várias inconsistências. Inicialmente, o ex-presidente afirmou que não havia assistido ao vídeo completo antes da publicação, dizendo que a postagem foi retirada do ar assim que soube do conteúdo. "Eu não cometi um erro. Eu olho milhares de coisas", declarou Trump na sexta-feira (6).
Posteriormente, ele mudou sua versão, afirmando que repassou o material à equipe por abordar supostas fraudes eleitorais na Geórgia, mas que alguém "não olhou" o conteúdo completo antes de publicá-lo. A aparição do casal Obama foi descrita como uma "paródia", embora Trump tenha admitido que também "não gostaria" do material.
O episódio ocorre em um contexto eleitoral delicado nos Estados Unidos, onde questões raciais e divisões políticas continuam a dominar o debate público. A recusa em punir o responsável pela publicação e a tentativa de minimizar o conteúdo racista reforçam as críticas sobre o tratamento de questões sensíveis por parte do ex-presidente e sua equipe.