Como ataques de Trump a latinos e Bad Bunny podem ser tiro no pé para republicanos
O apoio a Donald Trump entre eleitores latinos, que foi crucial para sua vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024, está em queda livre. Após um ano de políticas agressivas contra a imigração e críticas contundentes ao show do cantor porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, o Partido Republicano teme perder sua maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, as midterms, que ocorrerão em nove meses.
Queda acentuada no apoio latino
Em 2024, Trump recebeu a maior porcentagem de votos latinos da história do Partido Republicano, com 46%. No entanto, pesquisas recentes indicam uma reversão dramática nesse cenário. Uma pesquisa da CBS News revelou que o apoio a Trump entre americanos de origem hispânica caiu para 38%, um declínio acentuado em relação ao pico de 49% no início de 2025, quando ele retornou à Casa Branca. Outra pesquisa, da YouGov, mostra uma queda ainda mais expressiva, de 13 pontos percentuais, de 41% para 28%.
Inicialmente, muitos eleitores latinos apoiaram Trump devido à insatisfação com a economia durante o governo de Joe Biden. Agora, no entanto, 61% deles desaprovam a gestão econômica do presidente, e 69% reclamam das políticas direcionadas ao combate à inflação. Essa mudança de opinião está gerando um movimento, apelidado de nueva onda, que pode levar eleitores hispânicos de volta ao Partido Democrata.
Impacto das críticas ao show de Bad Bunny
O show de Bad Bunny no Super Bowl, que homenageou a América Latina com convidados como Ricky Martin e Pedro Pascal, e enfatizou que América é um continente e não apenas um país, emocionou milhões de espectadores. Com cerca de 135 milhões de telespectadores, bateu o recorde de audiência do ano anterior. No entanto, Trump reagiu com duras críticas em sua rede social, Truth Social, descrevendo o espetáculo como terrível e uma afronta à grandeza americana.
Essas declarações não caíram bem nem entre os republicanos. Figuras importantes do partido, como Vianca Rodriguez, estrategista da campanha de 2024 para latinos, alertaram que alienar a base conservadora porto-riquenha é um erro crasso. Outros, como Alexis Wilkins e Harrison Fields, destacaram a importância de celebrar a diversidade e união nacional, temas centrais no show de Bad Bunny.
Risco eleitoral para os republicanos
O voto latino é vasto e diverso, totalizando mais de 36 milhões de pessoas, formando o maior bloco eleitoral não branco dos Estados Unidos. Uma migração significativa desses eleitores para os democratas, como já ocorreu em eleições estaduais recentes em Nova Jersey e Texas, poderia causar um terremoto político nas midterms. Em um distrito conservador do Texas, por exemplo, houve uma migração de 26 pontos percentuais de eleitores de Trump para um candidato democrata, impulsionada pela insatisfação com o custo de vida.
A Casa Branca parece apostar na polarização, usando o tema da imigração e críticas a latinos para mobilizar a base MAGA. No entanto, essa estratégia pode ter um efeito contrário. O desprezo por figuras como Bad Bunny, somado a promessas econômicas não cumpridas e operações truculentas de imigração, pode galvanizar a base democrata e levar mais hispânicos às urnas contra os republicanos.
Se essa tendência se confirmar, os ataques de Trump podem se revelar um enorme tiro pela culatra, custando ao Partido Republicano o controle do Congresso e redefinindo o cenário político americano.