Trump afirma que seria uma honra 'tomar Cuba' e intensifica pressão sobre a ilha
Trump diz que seria honra 'tomar Cuba' e aumenta pressão

Trump afirma que seria uma honra 'tomar Cuba' e intensifica pressão sobre a ilha

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração impactante na segunda-feira (16), afirmando que seria uma "honra" para ele "tomar Cuba". Em suas palavras, ele disse: "Posso fazer o que quiser com ela". Esta fala marca mais um capítulo na escalada de pressão norte-americana sobre a ilha comunista, que atualmente enfrenta uma grave crise energética e instabilidade política.

Contexto histórico e medidas recentes

Cuba tem sido um alvo constante de Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Naquela época, ele reverteu a política de abertura iniciada por Barack Obama e impôs sanções mais duras contra o país. Ao retornar à Casa Branca no ano passado, Trump revogou uma decisão do governo anterior e recolocou Cuba na lista de nações que patrocinam o terrorismo.

Ao longo de 2025, a ilha permaneceu relativamente fora do radar da Casa Branca, mas voltou a ser foco da política externa americana após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela. Em janeiro, a imprensa dos Estados Unidos reportou que o governo Trump buscaria uma mudança de regime em Cuba até o final de 2026.

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Desde então, os Estados Unidos têm intensificado a pressão sobre a ilha. A mudança no governo venezuelano foi crucial para que Trump colocasse Cuba em uma situação difícil. Após a captura de Maduro em 3 de janeiro, os Estados Unidos passaram a impedir que Caracas enviasse petróleo ou recursos financeiros à ilha.

No fim daquele mês, Trump deu mais um passo para aumentar a pressão. Por meio de um decreto, ele autorizou tarifas contra qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba. A Casa Branca justificou a medida como necessária para manter a estabilidade no Caribe, afirmando: "Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais".

Esta ação foi vista como uma tentativa de sufocar a economia cubana. Simultaneamente, o governo Trump acusou a ilha de se alinhar à Rússia, China, Irã e grupos terroristas, alegando que isso representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Trump comentou: "Cuba é uma nação em crise, e é preciso ter pena do país. Parece algo que simplesmente não vai sobreviver. Acho que Cuba não vai sobreviver".

Crise energética e protestos em Cuba

Sem acesso ao petróleo venezuelano, a situação em Cuba se deteriorou rapidamente. A ilha começou a enfrentar apagões frequentes, mergulhando o país em uma grave crise energética. Isso ocorre porque a rede elétrica cubana depende fortemente de combustível para gerar eletricidade.

De acordo com especialistas, Cuba precisa de aproximadamente 110 mil barris de petróleo por dia, mas produz apenas 40 mil. Com isso, o país depende de importações, e a perda do apoio venezuelano agravou a escassez. A rede elétrica foi uma das primeiras a ser afetada, com cortes de energia generalizados, seguidos por filas em postos de gasolina.

No início de fevereiro, o governo cubano anunciou medidas de racionamento de combustíveis, priorizando setores agrícolas e o turismo. Havana também afirmou planos para descentralizar a importação de combustíveis, manter a geração de eletricidade e reforçar investimentos em energia solar.

No entanto, essas medidas não foram suficientes para conter a crise. Os apagões continuaram frequentes, há escassez de combustíveis nos postos e o fornecimento de alimentos também começou a ser impactado. No sábado (14), manifestantes foram às ruas para protestar contra a situação, com atos que começaram pacíficos, mas terminaram com ataques a uma sede do Partido Comunista e a prédios do governo na região central da ilha.

Início das negociações entre Cuba e Estados Unidos

Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV na sexta-feira (13), dizendo: "Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as duas nações".

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Até então, o governo cubano negava que quaisquer encontros oficiais estivessem em andamento, enquanto Trump afirmava desde janeiro que conversas estavam ocorrendo e que Cuba queria chegar a um acordo. Apesar do contato, fontes indicam que ainda há diferenças significativas entre os dois países.

Autoridades americanas sugerem que qualquer alívio da pressão depende de concessões políticas e econômicas de Havana. Na segunda-feira, o jornal The New York Times revelou que os Estados Unidos estão pressionando para que Díaz-Canel deixe o cargo para que as negociações avancem. Segundo o jornal, os EUA não exigem mudanças amplas no regime comunista nem ações contra membros da família Castro, mas a saída de Díaz-Canel poderia abrir caminho para reformas econômicas.

Quem está conduzindo as negociações?

As conversas estariam sendo coordenadas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu politicamente com apoio de exilados cubanos nos EUA e defende a queda do regime comunista na ilha. Segundo a imprensa americana, assessores de Rubio estão em contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos de negociação.

Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário estaria mantendo conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como "Raulito" ou "El Cangrejo". Ele tem 41 anos, é neto do ex-presidente cubano Raúl Castro e sobrinho-neto de Fidel Castro. Sua participação como interlocutor indica que a família Castro continua influente nas decisões políticas do país.

Ao jornal Miami Herald, o congressista republicano Mario Díaz-Balart disse que os Estados Unidos mantiveram contato com "diversas pessoas do entorno de Raúl Castro", mas afirmou que não se tratava de negociações oficiais. Cuba, por sua vez, não informou oficialmente quem faz parte da delegação que negocia com os Estados Unidos.