Trump oferece ajuda ao Irã em meio a protestos com mais de 200 mortos
Trump diz que Irã busca liberdade e EUA estão prontos para ajudar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua plataforma no Truth Social neste sábado, 10 de janeiro de 2026, para enviar uma mensagem direta ao povo e ao regime do Irã. Em um post conciso, Trump declarou que o Irã "procura a liberdade" como nunca antes e afirmou que os Estados Unidos estão "prontos para ajudar".

Contexto de repressão brutal no Irã

A mensagem do líder norte-americano surge em um momento crítico para a República Islâmica do Irã. Há duas semanas, o país vive uma onda massiva de protestos populares contra o regime teocrático dos aiatolás, comandado com mão de ferro pelo líder supremo Ali Khamenei.

A repressão por parte do governo iraniano tem sido extremamente violenta. De acordo com informações da agência de notícias Associated Press (AP), mais de 200 manifestantes teriam sido assassinados pelas forças de segurança nos últimos dias. Os agentes do regime estariam utilizando munição real para dispersar os cidadãos que vão às ruas.

Para tentar sufocar a divulgação das atrocidades e isolar os manifestantes, o governo iraniano decretou um corte generalizado no acesso à internet. O bloqueio foi imposto poucos minutos após as 20h da última quinta-feira, deixando mais de 85 milhões de habitantes sem comunicação com familiares, amigos e com o mundo exterior.

Silêncio e expectativa sobre a "ajuda" americana

Após publicar a mensagem em sua rede social, Donald Trump não fez mais comentários nem deu qualquer explicação sobre a natureza prática da ajuda que os Estados Unidos estariam dispostos a oferecer. A declaração vaga, porém carregada de simbolismo, gerou imediata especulação sobre possíveis ações futuras da administração norte-americana.

A retórica de Trump coloca qualquer pessoa que proteste nas ruas do Irã em uma posição de risco ainda maior. O regime já classifica os manifestantes como "inimigos de deus" que estariam traindo a nação, criando insegurança e buscando "dominação estrangeira" – acusações que podem levar à pena de morte.

Além de esconder a violência, o apagão digital também impede que a dimensão da grave crise econômica que assola o país, frequentemente atribuída à má gestão dos aiatolás, seja conhecida internacionalmente.

Precedente recente na Venezuela

A postura intervencionista de Trump em relação ao Irã ocorre menos de uma semana após uma ação militar direta dos EUA em outro país. No sábado anterior, dia 3 de janeiro, forças norte-americanas invadiram o território da Venezuela com o objetivo de capturar o presidente Nicolás Maduro.

A operação, que resultou na morte de cerca de 100 pessoas (incluindo pelo menos 30 militares cubanos da guarda pessoal de Maduro), localizou e prendeu o ditador venezuelano em um bunker dentro de uma unidade militar em Caracas.

Atualmente, Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, estão presos em Nova Iorque. Eles enfrentarão a justiça americana por acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse ilegal de armas. Maduro pode ser condenado à prisão perpétua.

Este precedente venezuelano, somado à mensagem sobre o Irã, alimenta análises sobre um possível endurecimento ou uma nova fase na política externa intervencionista do governo Trump, colocando regimes autoritários em alerta e gerando expectativas em movimentos de oposição ao redor do mundo.