Trump reinstala estátua de Colombo na Casa Branca em meio a controvérsia histórica
A Casa Branca instalou uma estátua do explorador italiano Cristóvão Colombo em seus jardins, na mais recente iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconhecer a figura histórica controversa. A estátua é uma réplica exata daquela que foi derrubada na cidade de Baltimore, na costa leste dos EUA, em 2020, durante os protestos nacionais contra o racismo nas instituições americanas, desencadeados pela morte de George Floyd.
Posicionamento estratégico e declarações oficiais
A nova estátua foi colocada nos jardins do Edifício Executivo Eisenhower, que fica ao lado da Casa Branca, em um local de grande visibilidade. Trump chamou Colombo de "o herói americano original e um dos homens mais galantes e visionários" da Terra, em uma carta enviada à Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Ítalo-Americanas, divulgada neste domingo (22).
"Estamos muito satisfeitos que a estátua tenha encontrado um lugar onde possa brilhar em paz e ser protegida", disse John Pica, presidente da entidade das organizações ítalo-americanas. A Casa Branca reforçou a posição através de suas redes sociais, publicando no X: "No governo desta Casa Branca, Cristóvão Colombo é um herói, e o presidente Trump garantirá que ele seja honrado como tal por gerações".
Por que Colombo é uma figura controversa
As expedições financiadas pela Espanha e lideradas por Cristóvão Colombo, a partir da década de 1490, abriram caminho para a conquista e colonização das Américas pela Europa. Os protestos do movimento Black Lives Matter em 2020 levaram a uma reavaliação profunda do racismo institucional e de símbolos do período colonial associados à escravidão.
Manifestantes em várias cidades passaram a mirar estátuas de Colombo, devido ao fato de que ele e suas tripulações foram responsáveis pelo genocídio e pela exploração do povo taino no Caribe, entre outros. Isso estabeleceu um padrão que seria repetido por futuros colonizadores em relação a outros povos indígenas das Américas.
O debate sobre o Dia de Colombo
Nos últimos anos, instituições e organizações nos Estados Unidos substituíram o Dia de Colombo, em 12 de outubro, pelo Dia dos Povos Indígenas. O ex-presidente dos EUA Joe Biden marcou a data com uma proclamação oficial em 2021. Entretanto, Trump rejeita categoricamente essa mudança, chamando-a de ideologia "antiamericana".
"Eu estou trazendo o Dia de Colombo de volta das cinzas. Os democratas fizeram tudo o que podiam para destruir Cristóvão Colombo, sua reputação e todos os italianos que o amam tanto", declarou Trump em abril de 2025, reforçando sua posição sobre o tema.
Outras estátuas polêmicas reaparecem
Colombo não é a única figura controversa a reaparecer no cenário público americano. Na semana passada, o Departamento do Interior dos EUA informou que uma estátua de Caesar Rodney será exibida em Washington. Rodney foi um dos líderes americanos que assinou a Declaração de Independência, mas também era um conhecido escravizador. Sua estátua foi removida durante os protestos por justiça racial em Delaware em 2020.
Além disso, uma estátua do general confederado Albert Pike, também derrubada durante os protestos de 2020, foi reinstalada no ano passado em Washington, indicando um movimento mais amplo de revisão de monumentos históricos nos Estados Unidos.



