Trump critica acordo sobre base militar e chama decisão britânica de 'estupidez'
Trump chama decisão britânica sobre base militar de 'estupidez'

Trump classifica decisão britânica sobre arquipélago estratégico como 'grande estupidez'

As publicações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas redes sociais voltaram a causar impacto nas relações diplomáticas internacionais, desta vez atingindo diretamente o principal aliado americano na Europa. A série de postagens de Trump pegou de surpresa o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que tem mantido uma posição firme e diplomática sobre questões de soberania territorial.

O contexto do conflito territorial no Oceano Índico

O centro da polêmica é o arquipélago de Chagos, um conjunto de atóis localizado no meio do Oceano Índico, entre a Ásia e a África. A região é conhecida por suas belezas naturais impressionantes, com areias brancas e águas cristalinas, mas seu acesso é altamente restrito devido à sua importância estratégica. Nessa área encontra-se a base militar de Diego Garcia, compartilhada por britânicos e americanos, que já foi utilizada em operações militares no Afeganistão, no Iraque e no Iêmen.

As Ilhas Maurício, país da África Oriental que foi colônia do Império Britânico, acusam o Reino Unido de ter tomado ilegalmente o Arquipélago de Chagos décadas atrás. Após longas negociações que se estenderam por anos, o governo britânico concordou em 2025 em devolver o território às Ilhas Maurício, mas estabelecendo condições específicas para preservar interesses estratégicos.

Os termos do acordo e a reação de Trump

O acordo negociado entre Reino Unido e Ilhas Maurício estabelece que:

  • O Reino Unido manteria direitos sobre a base militar de Diego Garcia por 99 anos
  • O governo britânico pagaria anualmente cerca de 100 milhões de libras às Ilhas Maurício
  • A negociação contou com aprovação prévia do governo americano

Entretanto, na madrugada de terça-feira (20), Donald Trump publicou em suas redes sociais uma crítica contundente ao acordo, classificando-o como "chocante" e chamando a decisão britânica de "grande estupidez". O ex-presidente escreveu: "Nosso 'brilhante' aliado da OTAN, o Reino Unido, está planejando ceder a Ilha de Diego Garcia, onde se encontra uma base militar vital dos EUA, para as Ilhas Maurício, e fazer isso sem qualquer motivo. Não há dúvida de que a China e a Rússia perceberam esse ato de total fraqueza."

As preocupações estratégicas e os próximos passos

O acordo ainda precisa ser aprovado pelo parlamento britânico, e é justamente essa etapa que motivou a pressão repentina de Donald Trump, que busca anular a negociação. Os americanos temem que um futuro governo das Ilhas Maurício possa descumprir os termos do acordo, abrindo espaço para que países considerados adversários, como China e Rússia, assumam o controle da base militar estratégica.

Um porta-voz do governo britânico afirmou nesta terça-feira (20) que o objetivo do acordo é precisamente preservar a presença militar na região, já que a continuidade das operações britânicas e americanas vinha enfrentando ameaças de ações judiciais internacionais. Por sua vez, o governo das Ilhas Maurício defendeu a soberania sobre o território e expressou expectativa de que o acordo seja cumprido conforme estabelecido.

Esta não é a primeira vez que Trump se pronuncia sobre decisões do governo britânico. Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro Keir Starmer já havia sido mais enfático em suas críticas às ações de Trump, classificando-as publicamente como "equivocadas". O episódio revela as tensões persistentes nas relações transatlânticas e como figuras políticas continuam influenciando a diplomacia internacional mesmo fora de cargos oficiais.