Trump avalia ataque militar limitado contra o Irã para forçar acordo nuclear, diz jornal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando autorizar um ataque militar limitado contra o Irã como estratégia para pressionar o regime de Teerã a aceitar um novo acordo nuclear nos termos exigidos por Washington. A informação foi revelada em uma reportagem exclusiva publicada pelo jornal The Wall Street Journal nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026.
Estratégia de pressão militar
Segundo fontes próximas às discussões na Casa Branca, a ofensiva inicial, que poderia ocorrer nos próximos dias se aprovada, teria como alvo instalações militares ou governamentais específicas do Irã. A estratégia seria aumentar a pressão diplomática sem desencadear imediatamente uma guerra em larga escala no Oriente Médio.
Autoridades ouvidas sob condição de anonimato afirmam que, se o governo iraniano continuar rejeitando as exigências americanas de encerrar o enriquecimento de urânio, os Estados Unidos poderiam ampliar a campanha militar. A ideia é atingir estruturas centrais do regime, inclusive com potencial de desestabilização do governo em Teerã.
Pressão militar como ferramenta diplomática
A possibilidade de um ataque inicial de menor escala indica que Trump pode estar disposto a usar força militar não apenas como punição, mas também como instrumento de barganha para forçar um acordo favorável aos Estados Unidos. Interlocutores afirmam que o presidente considera uma escalada gradual: começar com bombardeios restritos e ampliar a ofensiva até que o regime iraniano recue ou sofra consequências mais profundas.
Ainda não está claro quão avançada está a decisão. Auxiliares teriam apresentado reiteradamente o cenário ao presidente nas últimas semanas. Nos debates mais recentes, no entanto, ganhou força a análise de campanhas militares mais amplas.
Negociações travadas e ameaças de retaliação
O impasse ocorre em meio a novas rodadas de negociação entre autoridades americanas e iranianas. Washington exige o fim do programa nuclear iraniano, restrições ao programa de mísseis balísticos e a interrupção do apoio de Teerã a grupos armados na região. O governo iraniano rejeita um acordo amplo nesses termos e nega buscar armas nucleares, oferecendo apenas concessões limitadas.
Autoridades regionais avaliam que um ataque, mesmo restrito, poderia levar o Irã a abandonar as negociações por tempo indeterminado. Líderes iranianos já ameaçaram responder com "força máxima" a qualquer ofensiva americana. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta semana que o país poderia atingir forças americanas na região e até afundar um porta-aviões dos EUA em caso de agressão.
Paralelo com a Coreia do Norte e reforço militar
A discussão interna na Casa Branca remete a um debate ocorrido no primeiro mandato de Trump, quando o governo avaliou aplicar um "ataque de advertência" contra a Coreia do Norte, no auge da tensão nuclear com Pyongyang. Na ocasião, a opção foi descartada, e Trump optou por negociar diretamente com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Os encontros, porém, não resultaram no desmantelamento do programa nuclear do país asiático.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram significativamente a presença militar no Oriente Médio. Dados de rastreamento aéreo e fontes do governo indicam o envio de caças F-35 e F-22, além do deslocamento de um segundo porta-aviões para a região. Também foram mobilizadas aeronaves de comando e controle, essenciais para coordenar grandes campanhas aéreas, e sistemas de defesa aérea.
Risco de escalada do conflito
Especialistas alertam que mesmo um ataque limitado pode provocar retaliação iraniana, ampliar o conflito e envolver aliados regionais, elevando o risco de uma guerra aberta. O cenário combina diplomacia fragilizada, retórica agressiva e movimentação militar crescente, uma equação que aumenta a instabilidade em uma das regiões mais estratégicas do planeta.
Na quinta-feira, Trump declarou que decidirá os próximos passos "em até duas semanas". "Vamos fazer um acordo ou conseguir um acordo de uma forma ou de outra", afirmou o presidente a jornalistas. A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, evitou detalhar as opções em análise. "Só o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer", disse.



