Trump impõe tarifas de 25% e Irã enfrenta protestos; especialista analisa cenário
Tarifas de Trump sobre Irã e protestos internos pressionam regime

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, anunciou uma medida drástica para aumentar a pressão sobre o Irã, em meio a uma grave crise interna no país persa. Nesta segunda-feira (12 de janeiro de 2026), Trump declarou a imposição de tarifas de 25% sobre qualquer nação que mantenha relações comerciais com o Irã. A decisão, comunicada pelo mandatário em suas redes sociais, teria efeito imediato sobre produtos importados pelos EUA.

Crise interna e pressão econômica

O anúncio ocorre em um momento de extrema tensão dentro do Irã. O país enfrenta uma onda de protestos que já resultou em mais de 2.000 mortos, segundo informações da reportagem. O descontentamento popular, que começou motivado pela crise econômica, transformou-se em um movimento de oposição direta ao regime do aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989.

As sanções internacionais, principalmente dos Estados Unidos e da Europa, agravaram a situação econômica iraniana nos últimos anos. Essa fragilidade, combinada com investidas americanas e israelenses que afetaram estruturas nucleares e de segurança do Irã no último ano, criou um terreno fértil para a mobilização popular. Diferentemente de protestos anteriores, grupos de oposição diversos encontraram um ponto de união na atual conjuntura, dificultando o controle por parte do governo.

Posicionamento do Brasil e impacto comercial

A medida americana coloca o Brasil em uma posição delicada. Como um dos principais fornecedores de produtos agrícolas ao Irã, o país aguarda a divulgação oficial do documento por Washington para definir seu posicionamento. Dados governamentais indicam que, no ano passado, o Irã importou cerca de R$ 16 bilhões em produtos brasileiros, um montante significativo que pode ser diretamente impactado pelas novas tarifas.

Análise especializada: uma ação "cirúrgica"

Em entrevista ao Jornal da Record News, a professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, analisou a complexidade do cenário. Ela destacou que a pressão internacional dificulta ainda mais o controle dos protestos pelo governo iraniano, que se vê em uma situação crítica. "Pode ser que a gente passe para uma fase diferente dentro do Irã", ponderou a especialista.

Questionada sobre a possibilidade de uma intervenção militar norte-americana, Holzhacker traçou um paralelo com a situação na Venezuela, mas ressaltou as diferenças cruciais. A historiada de incursões dos EUA no Oriente Médio gera uma preocupação pública distinta. Para a professora, qualquer ação militar só seria viável se fosse rápida, cirúrgica e com objetivos muito claros para o eleitorado americano.

"Essa eu acho que é a grande diferença, não é só a forma de atuação, mas é a estratégia para que ela seja a mais cirúrgica possível e tenha o menor custo para a própria imagem do Trump", finalizou Denilde Holzhacker. A análise aponta que, diante das ameaças, o regime iraniano busca canais diplomáticos com Washington, conforme divulgado pela Casa Branca, tentando evitar uma escalada maior do conflito.