A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de até 25% a nações que mantêm relações comerciais com o Irã acendeu um alerta vermelho para o comércio exterior brasileiro. A medida, anunciada em 13 de janeiro de 2026 como resposta a protestos no território iraniano, amplia a pressão econômica americana e coloca parceiros do regime, como o Brasil, na mira de possíveis retaliações.
O que está em jogo para a economia brasileira?
A ameaça é direta e atinge setores sensíveis da pauta exportadora do país. Embora o Irã não figure entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, ele ocupa uma posição estratégica em nichos importantes. O principal deles é o de proteínas animais, especialmente carnes, que encontraram no mercado iraniano uma alternativa valiosa para a diversificação das vendas externas.
O especialista em Direito Internacional, Manuel Furriela, avalia a situação com preocupação. "O Irã não se compara a Estados Unidos, China ou União Europeia em volume, mas tem peso. Perder esse mercado significaria prejuízo concreto para setores específicos do agronegócio", afirma. Até o momento, o governo brasileiro não se posicionou oficialmente, mas a expectativa é de uma avaliação cautelosa dos riscos em um cenário internacional já marcado por instabilidade.
Um precedente histórico preocupante
Esta não é a primeira vez que o Brasil se vê pressionado por sanções americanas contra terceiros países. Furriela lembra que, no início da década de 1990, durante a Guerra do Golfo, o país foi forçado a encerrar relações comerciais com o Iraque. Na época, as exportações envolviam produtos industriais e equipamentos de alto valor agregado.
"O impacto foi significativo porque envolvia produtos que o Brasil tradicionalmente exporta menos, mas que têm alto valor agregado. O precedente mostra que esse tipo de sanção tem efeito real sobre a economia", destaca o especialista. A estratégia, portanto, é uma ferramenta conhecida da diplomacia americana para isolar economicamente governos considerados hostis e impor custos políticos a seus parceiros.
O dilema da diplomacia brasileira
A decisão de Trump coloca a política externa do Brasil em uma encruzilhada complexa. De um lado, há o pragmatismo econômico, que busca preservar mercados e fluxos comerciais importantes. De outro, estão os alinhamentos geopolíticos e o risco de reabrir um ciclo de tensões e tarifas com os Estados Unidos.
Ceder à pressão americana pode significar a perda imediata de mercados alternativos que o Brasil levou anos para consolidar. Resistir, por outro lado, pode resultar em sobretaxas prejudiciais e em uma agenda negativa para o comércio exterior. Em um mundo global cada vez mais fragmentado, a escolha é delicada e o custo de um erro de cálculo pode ser extremamente alto.
Ainda há uma incógnita sobre a possibilidade de o Brasil escapar das tarifas. O retorno recente a uma postura mais pragmática nas relações com Washington pode abrir espaço para negociações e uma eventual exceção. No entanto, o sinal dado pelos EUA é claro e o risco é palpável. O cenário é de alto risco e exige uma navegação diplomática precisa para proteger os interesses nacionais.