Suprema Corte dos EUA rejeita legalidade do tarifaço de Trump, afetando Brasil
Suprema Corte dos EUA rejeita tarifaço de Trump que afeta Brasil

Suprema Corte dos Estados Unidos declara ilegal aumento de tarifas de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta sexta-feira (20) a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil. A decisão histórica representa um limite significativo ao poder executivo americano, estabelecendo que o presidente não pode impor tais medidas sem a autorização prévia do Congresso nacional.

Contexto jurídico e disputa política

A instância máxima da Justiça americana indicou na última semana que divulgaria em plenário decisões de casos já julgados pelos magistrados, o que incluiu a polêmica questão do tarifaço. A Corte, no entanto, não informa com antecedência quais temas serão apreciados em suas sessões públicas.

Relembre a briga judicial: A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal. Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década.

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Debates intensos na suprema corte

Em 5 de novembro, quando foram realizadas sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas substanciais sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump, em um debate que durou mais de duas horas e meia. O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.

Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indicou uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de seis a três juízes.

Impacto direto nas relações com o Brasil

As ações contra as tarifas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por doze estados americanos, a maioria administrada por democratas. Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço define os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e afeta diretamente medidas aplicadas contra o Brasil.

Além disso, a Suprema Corte estabeleceu parâmetros importantes para outros casos relevantes, definindo o alcance da autoridade presidencial em matéria comercial. O republicano tem testado os poderes do poder Executivo ao adotar políticas de forma unilateral e interferir na dinâmica do comércio global.

Críticas de Trump e estratégia política

Em agosto de 2025, Donald Trump criticou veementemente a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele. Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte.

Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor temporariamente. O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como "altamente partidário" — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, "com a ajuda da Suprema Corte dos EUA", pretendia manter a taxação.

"Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA", publicou ele na Truth Social.

Consequências práticas da decisão

Na prática, Trump fez das tarifas um eixo central de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas em alguns casos, mas aumentou significativamente a instabilidade nos mercados financeiros internacionais.

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Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais — como efetivamente ocorreu — a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025. Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações.

Tarifas sobre produtos brasileiros especificamente

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.

A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que incluiu itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto de 2025.

Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma "química excelente" com Lula.

Enquanto as discussões sobre o tarifaço perderam espaço no noticiário diante de outros eventos geopolíticos — como a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por agentes americanos — os rumos da política tarifária voltaram ao centro das atenções com a decisão histórica da Suprema Corte dos EUA.