Stephen Miller: O assessor de Trump que virou alvo de críticas por políticas de imigração
Por anos, Stephen Miller foi uma figura influente do conservadorismo no entorno político do atual presidente americano, Donald Trump. Agora, ele se transformou em um para-raios de polêmicas, especialmente devido às suas posturas implacáveis e combativas na condução das políticas governamentais.
O estilo combativo e a agenda linha-dura
Seu estilo implacável impulsionou a agenda linha-dura de imigração do presidente e ampliou sua influência na projeção do poder dos Estados Unidos pelo hemisfério ocidental. O início acelerado de 2026 do governo Trump, tanto no plano interno quanto no externo, reforçou sua posição como uma das figuras mais poderosas do governo.
No entanto, para a esquerda, ele é visto como um vilão. Na capital americana, Washington D.C., cartazes com o rosto de Miller foram colados em espaços públicos com a legenda "Fascism ain't pretty" ("Fascismo não é bonito", em tradução livre). Integrantes do Partido Democrata pediram sua renúncia, e até membros de seu próprio Partido Republicano passaram a questionar publicamente seu julgamento político e sua eficácia.
O caso Alex Pretti e o recuo temporário
Nas últimas semanas, Miller se viu em território pouco familiar: um operador dos bastidores exposto repentinamente aos holofotes nacionais. Pouco depois de dois agentes federais de imigração terem baleado e matado o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, durante uma operação em Minneapolis no mês passado, Miller publicou várias mensagens na rede social X nas quais acusou Pretti de ser um "terrorista doméstico" e um "assassino".
As declarações sobre Pretti eram objetivamente falsas. Imagens de vídeo divulgadas posteriormente mostraram que Pretti, embora estivesse armado com um revólver legalmente registrado, não ameaçou agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras antes de ser atingido por spray de pimenta, derrubado e baleado dez vezes.
Dias depois, Miller emitiu uma nota à imprensa em que sustentou que a avaliação inicial do governo Trump sobre os disparos havia sido "baseada em relatos" de agentes de imigração "em campo", e que esses agentes "podem não ter seguido" o protocolo adequado. Foi um recuo raro do assessor de postura combativa, mas ainda assim insuficiente para satisfazer seus críticos democratas.
Intensificação das políticas de imigração
Em maio, foi Miller quem exigiu que as autoridades de fiscalização de imigração intensificassem a detenção e a deportação de migrantes sem documentação em cidades dos EUA. Miller disse à emissora americana Fox News que o governo havia estabelecido a meta de 3.000 prisões por dia — número muito acima dos registros anteriores.
Desde então, o governo intensificou a fiscalização em uma lista crescente de grandes cidades americanas, incluindo:
- Washington D.C.
- Charlotte
- Chicago
- Minneapolis
"Tudo o que fiz, fiz sob a direção do presidente e de Stephen [Miller]", disse recentemente a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ao site Axios.
Reação pública e queda na aprovação
Miller negou ser movido por racismo ou preconceito. Ele defende a política de imigração do presidente americano como reflexo do que os eleitores escolheram que Trump realizasse. Ainda assim, no que vem sendo interpretado como um afastamento da abordagem agressiva de Miller, Trump afirmou nesta semana que sua ofensiva precisava de um "toque mais suave", após as mortes de Alex Pretti e Renee Good, outra cidadã americana morta por agentes de imigração em Minneapolis.
A aprovação geral da política de imigração caiu para 39%, o nível mais baixo desde que Trump retornou à Casa Branca, segundo pesquisa da Reuters-Ipsos. Uma maioria clara, de 58%, afirma que as táticas de fiscalização adotadas por agentes do ICE foram "longe demais".
Trajetória política e sobrevivência
Miller mostrou ao longo dos anos ser um sobrevivente político. Conservador combativo desde os tempos de colégio, na liberal Califórnia, ele ascendeu de assessor no Senado a auxiliar de campanha e, depois, à Casa Branca, onde atravessou as intrigas pessoais e disputas internas do primeiro governo Trump.
Ele permaneceu ao lado do presidente em seus momentos mais difíceis, incluindo:
- A derrota eleitoral de 2020
- O ataque de apoiadores ao Capitólio dos EUA
- Seu isolamento político em Washington, D.C.
"Stephen Miller é central para a psique de Trump", afirmou Bryan Lanza, estrategista conservador. "Sempre avançar com força; nunca recuar. Stephen [Miller] é alguém em quem ele sempre pode contar para sustentar essa posição, em qualquer tema."
Expansão do papel na política externa
O cargo oficial de Miller na Casa Branca é chefe de gabinete adjunto para políticas públicas e assessor de segurança interna. No entanto, seu papel se expandiu para a política externa. No outono passado, Miller teria sido colocado à frente da supervisão de operações militares no Caribe para localizar e destruir embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
Essa iniciativa se expandiu para a operação bem-sucedida que resultou na prisão e queda do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início de janeiro. Quando Trump anunciou em seu resort de Mar-a-Lago a captura de Maduro, Miller estava entre os poucos integrantes do alto escalão posicionados atrás do presidente.
Visão de mundo e críticas
Miller defende uma visão ampliada do governo Trump, que posiciona os EUA como uma potência dominante em todo o hemisfério ocidental. Ele afirmou que existem "leis de ferro do mundo" e que "vivemos em um mundo, no mundo real… que é governado pela força, que é governado pelo poder".
Essas declarações causaram incômodo até dentro do próprio partido de Trump. "Ou Stephen Miller passa a se ater ao que sabe fazer ou precisa deixar esse cargo", disse à CNN o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte.
Acusações de racismo e futuro político
Essa abordagem expôs Miller — e Trump — a acusações de racismo e etnonacionalismo. "Stephen Miller é uma figura central na formulação da agenda do governo Trump", escreveu o grupo liberal Common Cause. "De viabilizar a violência estatal contra famílias imigrantes a promover retórica nacionalista branca no governo, sua carreira é um alerta sobre o que acontece quando o preconceito ganha poder institucional."
Apesar de toda a controvérsia, o vínculo de Miller com Trump explica por que sua posição no círculo íntimo do presidente segue aparentemente segura. "Aos meus colegas que acham que é possível convencer Donald Trump de que Stephen Miller é um peso para ele, desejo boa sorte", disse o senador Lindsey Graham. "Quando o relógio bater meia-noite na era Trump, algumas pessoas sairão pela porta junto com Donald Trump. Stephen Miller estará nesse grupo."