António José Seguro é eleito presidente de Portugal com vitória esmagadora sobre extrema direita
Seguro vence eleição presidencial em Portugal com 66,8% dos votos (11.02.2026)

António José Seguro conquista presidência de Portugal com vitória histórica sobre extrema direita

Envolto em um cordão sanitário suprapartidário contra a ascensão da extrema direita, o socialista António José Seguro foi eleito o novo presidente de Portugal com uma votação expressiva de 66,8% dos eleitores, mais que o dobro dos votos obtidos pelo candidato ultradireitista André Ventura. A vitória confortável do político de esquerda afastou definitivamente os temores de que o país poderia ingressar na aventura populista propagada por seu adversário, que é admirador confesso do ex-ditador António Oliveira Salazar.

Discurso de vitória reforça compromisso com a democracia

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Seguro afirmou que "os vencedores dessa noite são os portugueses e a democracia", destacando o significado histórico do momento. O político socialista assegurou que "será um presidente livre, atento às pessoas e às instituições", prometendo um mandato pautado pelo diálogo e pela moderação.

A eleição ocorreu em um contexto marcado por tempestades climáticas consecutivas que têm afetado o território português, e mesmo assim registrou uma participação recorde dos eleitores. O sobrenome do candidato vitorioso – Seguro – acabou se tornando um trocadilho simbólico que os portugueses priorizaram nas urnas, optando pela estabilidade em detrimento do discurso radical.

Aliança suprapartidária isola candidato da extrema direita

A moderação reforçada por Seguro atraiu apoio tanto da direita quanto da esquerda tradicional, criando uma barreira eficaz contra o avanço de André Ventura e seu partido Chega. O candidato ultradireitista tem disseminado um discurso radical contra imigrantes, ciganos e o sistema político estabelecido, mas foi contido pela união das forças políticas convencionais.

O escritor e comentarista Miguel Sousa Tavares resumiu o sentimento predominante ao afirmar à CNN Portugal: "Eu vejo esta vitória com grande alívio e alegria. A maioria se mobilizou e derrotou o populismo, a demagogia, a política feita de mentiras e de golpes. Isso tudo falhou". A vitória de Seguro também representou uma recuperação significativa para o Partido Socialista, que parecia devastado após os resultados das últimas eleições legislativas.

Reação do derrotado e cenário político futuro

André Ventura, no entanto, não se calou diante da derrota. O líder do Chega – partido ultradireitista que é a segunda força política no Parlamento português com 60 cadeiras – vangloriou-se por ter obtido mais votos do que o primeiro-ministro Luís Montenegro nas últimas eleições legislativas, autointitulando-se como "o novo líder da direita portuguesa" que "em breve governará Portugal".

Analistas políticos consideram essa declaração como mais uma das bravatas características da retórica radical do Chega, especialmente diante da demonstração de união entre partidos de centro-esquerda e centro-direita, além das principais figuras políticas do país. O establishment que Ventura tanto critica unificou-se contra sua candidatura e conseguiu isolá-lo politicamente nestas eleições presidenciais, embora o partido mantenha sua ambição de chegar ao governo.

Fundado há sete anos, o Chega consolidou-se como uma força política significativa em Portugal, mas a eleição presidencial demonstrou que a maioria dos portugueses ainda rejeita seu projeto radical. A vitória de António José Seguro representa um reforço importante para as instituições democráticas portuguesas em um momento de polarização política crescente na Europa.