Encontro trilateral entre Rússia, Ucrânia e EUA busca diálogo para fim da guerra no Leste Europeu
Rússia, Ucrânia e EUA negociam fim da guerra em encontro histórico

Encontro histórico entre Rússia, Ucrânia e EUA busca diálogo para paz no Leste Europeu

Nesta sexta-feira (23 de janeiro de 2026), ocorre um encontro trilateral de grande importância entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, com o objetivo central de negociar o fim do conflito no Leste Europeu. Esta reunião marca a primeira vez que os três países se sentam juntos para discutir diretamente a resolução da guerra, que se aproxima de completar quatro anos de duração.

Construção de confiança e diálogo franco entre as nações

De acordo com o professor Paulo Velasco, especialista em política internacional, a expectativa principal deste encontro é a construção de um diálogo efetivo entre as partes envolvidas. Em entrevista ao Conexão Record News, Velasco explicou que a ideia é avançar em termos de confiança mútua, especialmente entre Moscou e Kiev.

"A ideia é que, a partir desse momento, consiga se construir alguma forma de diálogo, consiga se avançar em termos de confiança mútua entre Moscou e Kiev, esse é um ponto muito sensível", afirmou o professor. Ele destacou ainda que "não há até aqui uma confiança muito clara nas posturas assumidas pelos dois lados na guerra, então é importante um diálogo franco, aberto e direto".

Principais pontos de desencontro nas negociações

O professor Velasco apontou que, ao lado das questões territoriais, as garantias de segurança para a Ucrânia representam um significativo ponto de desencontro que tem dificultado os avanços nas conversas. Segundo ele, é legítimo que o governo ucraniano busque algum tipo de garantia para evitar futuras agressões russas.

"É legítimo o governo ucraniano querer algum tipo de garantia para que no futuro a Rússia não volte a fazer o que fez em 2022, não volte a assediar o território ucraniano, não volte eventualmente a invadir e atentar contra a soberania e a integridade territorial da Ucrânia", explicou Velasco.

O impasse da adesão ucraniana à OTAN

Outro ponto crucial destacado pelo especialista é a discordância sobre o ingresso da Ucrânia na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Esta questão tem se mostrado como um dos principais impasses para a resolução do conflito, conforme análise do professor.

"A Rússia não aceita isso de bom grado, porque entende que a presença de soldados estrangeiros de países europeus em território ucraniano, é uma afronta e uma ameaça à própria segurança e sobrevivência russa", completou Velasco. Ele acrescentou que "é difícil imaginar que se possa chegar a um ponto de equilíbrio nessa questão em particular".

Contexto político do encontro trilateral

A decisão pela realização desta reunião histórica foi tomada após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Volodymyr Zelensky, ocorrido na Suíça. Este contexto político reforça a importância do momento atual, onde se busca uma oportunidade para avançar na resolução do conflito através da presença e interação mais direta dos representantes dos três países.

O professor Velasco enfatizou que esta é uma oportunidade que se abre para que se possa efetivamente avançar na resolução, especialmente no momento em que o conflito se aproxima de completar quatro anos. A expectativa é que, mesmo com os pontos de desencontro, o diálogo possa pelo menos levar a um cessar-fogo como primeiro passo.