Estônia alerta: Rússia acelera produção bélica para atrasar rearmamento europeu
Rússia planeja reforço militar para atrasar Europa, diz Estônia

Estônia denuncia plano russo de reforço militar para atrasar rearmamento europeu

O serviço de inteligência estrangeira da Estônia divulgou um relatório anual nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, alertando que a Rússia está reconstruindo suas forças militares de forma acelerada. O documento destaca que o Kremlin teme o rearmamento europeu e busca atrasar esse processo, enquanto expande sua produção de armamentos em ritmo impressionante.

Preocupação com ação militar europeia

Kaupo Rosin, chefe do serviço estoniano, afirmou que a liderança russa está muito preocupada com o rearmamento europeu. "Eles veem que a Europa pode ser capaz de realizar uma ação militar independente contra a Rússia em dois a três anos", disse Rosin. Ele acrescentou que o objetivo atual de Moscou é "atrasar e impedir" que isso aconteça, utilizando sua expansão bélica como ferramenta estratégica.

Produção bélica russa em alta

A Estônia, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e vizinho da Rússia, detalha no relatório que a produção de armamentos russos está se expandindo tão rapidamente que Moscou poderá estocar munição para guerras futuras. Isso ocorre enquanto a Rússia continua a lutar contra a Ucrânia, demonstrando uma capacidade industrial bélica robusta e em crescimento.

No entanto, a inteligência estoniana acredita que não há intenção de ataque contra qualquer membro da Otan neste ano ou no próximo. Sobre uma possível ofensiva à Estônia, o documento especifica que, se ocorrer, envolveria drones "em terra, no ar e no mar, simultaneamente em todo o território" do país.

Relações com Estados Unidos e China

O relatório também aborda as relações do Kremlin com potências globais. Segundo o texto, a Rússia ainda considera os Estados Unidos como seu principal adversário global, apesar de buscar cooperação para garantir o fim das sanções. "Essa mudança decorreu da ambição do Kremlin de explorar a nova administração dos Estados Unidos para restaurar as relações bilaterais e buscar um acordo que formalizaria a derrota da Ucrânia", afirmou Rosin.

Ele destacou que, "apesar desse degelo ilusório, os objetivos da Rússia permanecem inalterados: ela busca marginalizar os Estados Unidos e a Otan e remodelar a arquitetura de segurança da Europa de acordo com a visão de Moscou".

Além disso, o documento ressalta que a China vê a Rússia como uma aliada útil para conter o avanço do Ocidente, servindo também como fonte de energia caso Pequim se torne alvo de sanções em um possível conflito com Taiwan. Segundo a análise, qualquer concessão a Moscou poderia favorecer as ambições globais da China.

Chamado para investimento em defesa

Rosin enfatizou a necessidade de a Europa investir em defesa e segurança interna. "(A Europa) deve investir em defesa e segurança interna, para que, no futuro, a Rússia conclua que não tem chance contra os países da Otan", disse ele. Este alerta reforça a urgência de fortalecer as capacidades militares europeias diante da ameaça russa.