Rússia anuncia envio de petróleo para Cuba em meio a crise causada por bloqueio dos EUA
O governo russo confirmou nesta quinta-feira (12) que enviará carregamentos de petróleo bruto e combustível para Cuba em breve, conforme informação divulgada pelo jornal Izvestia e confirmada pela embaixada russa em Havana. A medida ocorre em um momento crítico para a economia cubana, que enfrenta uma grave crise de combustível devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos à importação de petróleo venezuelano.
Contexto da crise energética em Cuba
A situação atual remonta às ações do governo Trump, que cortou o fluxo de petróleo venezuelano após colocar o regime chavista sob sua tutela em janeiro, prendendo o ditador Nicolás Maduro. Este bloqueio integra uma campanha de pressão mais ampla que Washington impõe sobre Havana, declarando Cuba como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional norte-americana, sem fornecer detalhes específicos.
Diante da escassez, o governo cubano anunciou na sexta-feira (6) planos para racionar combustível na ilha, priorizando seu uso para:
- Serviços essenciais como saúde e defesa
- Sistemas de abastecimento de alimentos e água
- Setores agrícola e de turismo
Segundo dados da empresa belga Kpler publicados pelo Financial Times, Cuba tem petróleo suficiente para apenas mais 15 a 20 dias, enquanto apagões em larga escala têm sido registrados nos últimos dias.
Posicionamento russo e críticas aos Estados Unidos
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou os Estados Unidos de tentar "sufocar" a economia cubana através dos bloqueios impostos pelo governo Trump. "A situação em Cuba é de fato crítica. Temos consciência disso. Mantemos contatos intensivos com nossos amigos cubanos por meio de canais diplomáticos e outros", afirmou Peskov a repórteres.
O embaixador russo em Cuba, Viktor Coronelli, reforçou à agência estatal RIA Novosti que Moscou forneceu petróleo repetidamente a Cuba nos últimos anos e continuará a fazê-lo. Esta movimentação ocorre enquanto a Rússia tenta restaurar seus laços abalados com os EUA, embora o Kremlin tenha deixado claro seu descontentamento com o tratamento de Washington a Cuba.
Resposta cubana e medidas de contingência
Para enfrentar a crise, o governo cubano anunciou um plano abrangente que inclui:
- Descentralização da importação de combustíveis, permitindo que qualquer entidade com capacidade possa importar
- Continuação da geração de eletricidade com reforço nos investimentos em energia solar
- Garantia do pagamento de salário básico aos trabalhadores estatais durante a crise
O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, assegurou que voos nacionais e internacionais estão mantidos, enquanto o ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez, detalhou as prioridades no uso do combustível disponível.
Ajuda humanitária dos EUA e reação cubana
Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (5) o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para Cuba, com o objetivo declarado de reduzir prejuízos causados pelo furacão Melissa que atingiu a ilha em outubro.
O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita em publicação nas redes sociais: "É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos".
Esta complexa situação geopolítica envolve múltiplos atores internacionais enquanto Cuba busca alternativas para superar uma das crises energéticas mais severas de sua história recente, com implicações significativas para sua população e economia.