Rússia planeja bloquear WhatsApp permanentemente em 2026, segundo agência estatal
Rússia bloqueará WhatsApp permanentemente em 2026

Rússia planeja bloquear WhatsApp permanentemente em 2026, segundo agência estatal

A agência estatal de notícias Tass Media divulgou uma informação que está gerando grande repercussão internacional: o aplicativo de mensagens WhatsApp deverá ser bloqueado de forma permanente na Rússia a partir do ano de 2026. A medida representa mais um capítulo na escalada de restrições do governo russo contra plataformas de comunicação estrangeiras.

Posicionamento crítico do WhatsApp

Em um comunicado oficial divulgado na noite de quarta-feira, o WhatsApp respondeu de maneira contundente às tentativas do governo russo. A empresa, que pertence ao conglomerado Meta, afirmou que as autoridades russas "tentaram bloquear completamente" o serviço no país.

"Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", declarou a empresa no texto. O WhatsApp ainda reforçou que "continua fazendo tudo o que pode para manter os usuários conectados", demonstrando resistência às medidas restritivas.

Motivações por trás do bloqueio

Segundo o comunicado do WhatsApp, uma das principais razões para a tentativa de bloqueio seria um esforço coordenado para direcionar os usuários da plataforma a um "aplicativo de vigilância estatal". Há meses, a Rússia tem intensificado suas ações para que a população utilize a plataforma de comunicação desenvolvida pelo Estado, chamada Max.

Este aplicativo tem sido frequentemente comparado ao WeChat da China – um verdadeiro "super aplicativo" que combina funcionalidades de mensagens com serviços governamentais, porém sem oferecer criptografia para proteger a privacidade dos usuários.

Contexto das restrições russas

O episódio ocorre em um momento de crescente tensão entre o Kremlin e as plataformas de comunicação digitais. Desde 2025, as autoridades russas exigem que o aplicativo Max seja pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no território nacional. Além disso, funcionários do setor público, professores e estudantes são obrigados a utilizar a plataforma estatal.

As agências reguladoras russas vêm limitando o acesso de cidadãos também ao Telegram, que estima-se possuir tantos usuários quanto o WhatsApp na Rússia. O argumento oficial é que ambas as plataformas se recusam a armazenar os dados dos usuários russos dentro do país, conforme exigido pela legislação local.

Justificativas oficiais e histórico

A agência reguladora de comunicações Roskomnadzor tem emitido repetidos alertas ao WhatsApp para que cumpra as leis russas. Andrei Svintsov, um funcionário do governo russo, afirmou que "medidas tão drásticas" são "absolutamente justificadas", considerando que a Rússia designou a Meta como uma organização extremista em 2022.

Desde essa classificação, aplicativos da Meta como Instagram e Facebook já foram bloqueados na Rússia e só podem ser acessados através de redes virtuais privadas (VPNs). A perspectiva é que o WhatsApp siga o mesmo caminho em 2026.

Reações e paralelos internacionais

Pavel Durov, diretor executivo do Telegram e empresário russo, já comentou publicamente que o Estado está restringindo o acesso ao seu serviço numa tentativa clara de forçar a população a utilizar seu próprio aplicativo com fins de vigilância e censura política.

Durov fez um paralelo com a estratégia do Irã, que tentou banir o Telegram para forçar sua população a usar uma alternativa estatal – embora os cidadãos tenham encontrado maneiras de contornar as restrições. "Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa", afirmou o empresário, destacando a importância da liberdade de comunicação.

A BBC enviou um pedido de posicionamento ao Kremlin sobre o assunto, mas até o momento não obteve resposta oficial. O silêncio das autoridades russas contrasta com a movimentação regulatória que promete transformar profundamente o cenário das comunicações digitais no país.