O Kremlin acusou os Estados Unidos de tentar sufocar a economia de Cuba através de bloqueios impostos pelo governo Trump, que restringem a chegada de petróleo na ilha caribenha. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (9), com o porta-voz Dmitry Peskov descrevendo a situação do combustível em Cuba como crítica, enquanto o governo russo mantém contatos intensivos com autoridades cubanas para oferecer assistência.
Cuba detalha plano de racionamento e enfrenta escassez
Na última sexta-feira, Havana anunciou um plano para proteger serviços essenciais e racionar combustível, em resposta ao bloqueio norte-americano. O governo comunista endureceu o tom em desafio aos esforços dos EUA para cortar o fornecimento de petróleo, após Washington declarar Cuba uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional.
Impactos imediatos na ilha
Cuba enfrenta escassez de petróleo desde que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e passaram a impedir o envio de combustíveis. Dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, indicam que o país tem petróleo suficiente para apenas 15 a 20 dias, levando a apagões em larga escala e medidas de emergência.
- Priorização de combustível para serviços essenciais como saúde, defesa e abastecimento de alimentos e água.
- Setores agrícola e de turismo também receberão atenção especial.
- Descentralização da importação de combustíveis para contornar o bloqueio.
- Investimentos em produção de energia solar para gerar eletricidade.
Resposta russa e laços históricos
O Kremlin expressou insatisfação com o tratamento de Washington a Cuba, enfatizando que as táticas sufocantes dos EUA causam muitas dificuldades. O embaixador russo em Cuba, Viktor Coronelli, afirmou que Moscou forneceu petróleo repetidamente nos últimos anos e continuará a fazê-lo, reforçando os laços históricos entre os dois países.
Preocupações com turistas e assistência
Peskov respondeu a perguntas sobre relatos de escassez de combustível de aviação, que poderiam afetar turistas russos que desejam deixar Cuba. Ele destacou que a Rússia está discutindo com amigos cubanos possíveis formas de resolver esses problemas ou oferecer toda a assistência possível.
Ajuda humanitária dos EUA e crítica cubana
Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (5) o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para Cuba, com o objetivo de reduzir prejuízos causados pelo furacão Melissa, que atingiu a ilha em outubro. No entanto, o vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita.
- De Cossio criticou a aplicação de medidas coercitivas draconianas que negam condições econômicas básicas a milhões de pessoas.
- Ele descreveu o anúncio de ajuda como sopa e comida enlatada para poucos, destacando a contradição nas ações norte-americanas.
O contexto inclui tentativas da Rússia de restaurar laços abalados com os EUA, enquanto o presidente Donald Trump busca intermediar um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. A crise em Cuba continua a se agravar, com novas sanções e apagões, colocando em risco a estabilidade da ilha e suas relações internacionais.