Pressão interna pode forçar Trump a cessar ataques ao Irã antes das eleições
Pressão interna pode forçar Trump a parar ataques ao Irã

Pressão interna pode forçar Trump a cessar ataques ao Irã antes das eleições

Eleito com a promessa de encerrar as "guerras infinitas" que marcaram a história recente dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se vê agora envolvido em um conflito de objetivos pouco claros e estratégias de saída desconhecidas. Às vésperas das eleições de meio de mandato, que renovarão o Congresso americano, o republicano ainda não conseguiu explicar satisfatoriamente ao eleitorado os motivos que levaram seu governo a atacar o Irã em uma operação conjunta com Israel iniciada em 28 de fevereiro.

Oposição crescente entre os americanos

Dos sete principais institutos de pesquisa dos Estados Unidos, cinco mostram que os cidadãos americanos se opõem à guerra por uma margem de dois dígitos. Uma sondagem da Reuters indica que 42% dos entrevistados acreditam que o conflito prejudicaria a segurança nacional dos EUA a longo prazo, contra 29% que pensam o contrário. A pesquisa da Quinnipiac reforça essa percepção, com 47% dos participantes afirmando que a guerra tornaria os Estados Unidos "menos seguros", comparado a 34% que discordam.

Até mesmo entre os republicanos não há consenso sobre os benefícios do conflito. Nas cinco pesquisas que incluíram essa questão, uma média de 19% dos republicanos disseram que a guerra tornaria os EUA menos seguros, enquanto 66% acreditam que os tornaria mais seguros. Essa divisão interna representa um desafio significativo para Trump, que precisa manter sua base eleitoral unida antes das eleições legislativas.

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Impacto econômico preocupante

A economia dos Estados Unidos, que estava em seu melhor momento antes do início do conflito com o Irã, agora enfrenta sérias ameaças. Os consumidores já percebem o aumento dos preços nos postos de gasolina, o que deve afetar ainda mais o já fragilizado cenário econômico do país. Uma guerra prolongada no Oriente Médio, com possível fechamento do Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do petróleo mundial), não ajuda a melhorar essa situação.

"Quanto mais tempo o conflito e as interrupções persistirem, maior será o possível impacto negativo na confiança empresarial e do consumidor devido ao aumento da incerteza, o que prejudicaria ainda mais a atividade econômica", alertou Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide, em análise recente.

Mercado de trabalho fragilizado

O choque do petróleo ocorre em um momento particularmente delicado para o mercado de trabalho americano. Em fevereiro, os empregadores eliminaram 92.000 vagas, enquanto a taxa de desemprego subiu de 4,3% para 4,4%. A guerra complica todos os cálculos econômicos do governo, já que as preocupações com a inflação persistem e obrigam os formuladores de políticas a equilibrar riscos concorrentes.

Economistas também começam a sinalizar preocupações com o consumo, que deveria receber um impulso significativo das novas regras tributárias implementadas pelo governo. No entanto, até agora, as expectativas não estão correspondendo à realidade, e o conflito com o Irã apenas aumenta as incertezas sobre o futuro econômico dos Estados Unidos.

Desafio político nas eleições de meio de mandato

A combinação de oposição popular crescente, divisão interna no partido republicano e ameaças econômicas concretas cria um cenário político complexo para Donald Trump. O presidente, que chegou ao poder criticando as intervenções militares prolongadas de seus predecessores, agora se vê pressionado a justificar uma guerra cujos objetivos permanecem pouco claros para grande parte da população.

Com as eleições de meio de mandato se aproximando rapidamente, a capacidade de Trump de manter o apoio de sua base eleitoral enquanto gerencia um conflito internacional de proporções significativas será testada como nunca antes. A pressão interna, tanto do eleitorado quanto dos efeitos econômicos do conflito, pode se tornar um fator decisivo para que o presidente americano reveja sua estratégia no Oriente Médio.

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