Portugal decide novo presidente em eleição histórica com 11 candidatos
Portugal vota com extrema-direita forte; 2º turno é provável

Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, mais de onze milhões de cidadãos portugueses estão convocados para as urnas em uma eleição presidencial que promete marcar a história política do país. A possibilidade de um segundo turno, cenário não visto desde 1986, paira sobre o pleito, que conta com um número recorde de onze candidatos disputando o Palácio de Belém.

Disputa acirrada e fragmentação política

A corrida eleitoral se mostra extremamente competitiva, com três nomes aparecendo tecnicamente empatados nas últimas pesquisas. De acordo com um levantamento do Instituto Pitagórica divulgado na sexta-feira, 16 de janeiro, o socialista José Antonio Seguro liderava com 25,1% das intenções de voto.

Logo atrás, em uma disputa acirrada, apareciam o candidato da extrema-direita, André Ventura, do partido Chega, com 23%, e o eurodeputado de centro-direita, João Cotrim de Figueiredo, com 22,3%. A pesquisa, citada pela agência internacional AFP, confirma a alta fragmentação do cenário político português.

O grande número de candidatos – onze no total – reflete essa divisão e a pluralidade de opções para suceder o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa. A eleição acontece em um sistema semipresidencialista, onde, embora o primeiro-ministro detenha mais poderes executivos, o chefe de Estado tem atribuições estratégicas.

O poder do presidente e a ascensão da extrema-direita

A figura do presidente em Portugal vai muito além de um cargo cerimonial. Entre suas principais competências, está a capacidade de dissolver o parlamento e convocar novas eleições legislativas, uma ferramenta poderosa que pode alterar os rumos da política e da economia nacional.

A possível ida de André Ventura para um segundo turno é um dos pontos de maior atenção. Caso isso ocorra, analistas políticos avaliam que ele provavelmente enfrentaria uma ampla coalizão de eleitores dos demais candidatos, o que reduziria significativamente suas chances de vitória final.

O Chega, partido fundado por Ventura em 2019, tem apenas sete anos de existência, mas experimentou um crescimento rápido de popularidade. Sua plataforma inclui bandeiras anti-imigração e se alinha a uma onda de conservadorismo que tem ganhado espaço em várias nações europeias.

Próximos passos e acompanhamento dos resultados

As urnas em Portugal serão fechadas às 19h (horário local). A apuração começará em seguida, e a primeira pesquisa de boca de urna poderá ser divulgada a partir das 20h. Para os brasileiros acompanhando a cobertura, esses horários correspondem às 15h e 16h, respectivamente, considerando o fuso horário de Brasília.

O desfecho desta eleição é aguardado com expectativa não apenas em Portugal, mas em toda a Europa, servindo como um novo termômetro para a força de partidos de extrema-direita no continente. A definição do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa moldará os próximos cinco anos da política lusitana.