Portugal terá 2º turno inédito em 40 anos: Socialista e ultradireita se enfrentam
Portugal: 2º turno presidencial inédito em 40 anos

Portugal vive um momento histórico em sua democracia. Pela primeira vez em quatro décadas, os eleitores portugueses terão de voltar às urnas para um segundo turno nas eleições presidenciais. O pleito decisivo, marcado para 8 de fevereiro de 2026, colocará frente a frente o socialista António José Seguro e o ultradireitista André Ventura, em uma disputa que reflete a polarização política no país.

Resultado apertado define os finalistas

Com a apuração de 98% dos votos, o primeiro turno revelou um cenário de grande competitividade. António José Seguro, ex-líder do Partido Socialista, conquistou aproximadamente 31% dos votos válidos. Do outro lado, André Ventura, líder do partido Chega, obteve 23,79% do apoio do eleitorado. A pequena diferença entre os candidatos e a ausência de um vencedor claro na primeira rodada tornou o segundo turno inevitável.

Este será o primeiro segundo turno em uma eleição nacional portuguesa em 40 anos, um fato que por si só já marca a importância do momento político atual. A última vez que uma disputa presidencial precisou de uma rodada extra foi em 1986.

Os candidatos e suas trajetórias

A eleição marca o retorno triunfal de António José Seguro à vida política ativa. O socialista havia se afastado da primeira linha em 2014 e anunciou sua candidatura à presidência apenas em junho de 2025. Sua campanha busca reunir o eleitorado de centro e esquerda em um momento de certo desgaste para essa faixa do espectro político em Portugal.

André Ventura consolida, com este resultado, a força de seu partido, o Chega, no parlamento português. Sua plataforma eleitoral é baseada principalmente no combate à corrupção e em uma postdura mais restritiva em relação à imigração, temas que ressoam em parte significativa do eleitorado.

O que esperar do segundo turno

Analistas políticos enxergam o resultado do primeiro turno como uma vitória parcial para a esquerda, que conseguiu colocar seu candidato na frente, ainda que sem a vitória direta. No entanto, a força demonstrada pela ultradireita de Ventura indica uma disputa acirrada e imprevisível na fase decisiva.

Os próximos dias serão de intensa campanha, com ambos os candidatos buscando conquistar os eleitores que optaram por outros nomes no primeiro turno. O pleito de 8 de fevereiro não definirá apenas o próximo presidente de Portugal, mas também poderá sinalizar uma reconfiguração duradoura do cenário político do país.