Prefeita de Seattle alerta que política imigratória dos EUA pode afastar turistas da Copa do Mundo
Política imigratória dos EUA pode afastar turistas da Copa

Prefeita de Seattle alerta sobre impacto da política imigratória na Copa do Mundo

Isabella Menon – Washington, EUA (Folhapress) – A cidade de Seattle, localizada no estado de Washington, está entre os destinos que receberão seis partidas da Copa do Mundo de 2026. Contudo, em meio ao cenário de políticas imigratórias rigorosas adotadas durante o mandato de Donald Trump e mantidas em certa medida, a prefeita Katie Wilson levantou uma preocupação significativa: o atual clima pode afastar uma parcela do público internacional interessado no megaevento esportivo.

Ansiedade na comunidade imigrante e reflexos no turismo

Durante uma entrevista concedida a jornalistas estrangeiros, promovida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos nesta terça-feira (10), a prefeita democrata, eleita em novembro do ano passado, destacou que vivemos um momento de muita ansiedade entre a comunidade de imigrantes em relação à aplicação das leis federais de imigração. Ela acredita que essa situação pode influenciar negativamente a decisão de alguns visitantes potenciais de viajar aos Estados Unidos para acompanhar os jogos. Essa é a realidade de agora, afirmou Wilson, enfatizando a urgência do tema.

Wilson, que já se manifestou publicamente contra o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), reforçou seu compromisso com a proteção dos residentes e visitantes. Em janeiro, após a morte da norte-americana Renee Good durante uma ação do ICE, a prefeita publicou uma série de fotos nas redes sociais lamentando o ocorrido e reafirmando seu apoio à comunidade imigrante. Minha mensagem para todos os que fazem de Seattle seu lar: esta é a sua cidade, vocês pertencem a este lugar. Vocês merecem estar seguros aqui, e juntos vamos lutar para que isso aconteça, escreveu na ocasião.

Medidas para garantir tranquilidade aos turistas

Questionada pela Folha de S.Paulo sobre quais ações poderiam assegurar maior segurança e conforto aos turistas que planejam visitar Seattle durante a Copa do Mundo, a prefeita citou o Fifa Pass. Trata-se de uma parceria entre a Fifa (Federação Internacional de Futebol) e o governo dos Estados Unidos, anunciada no fim do ano passado, que oferece agendamento prioritário de entrevistas para a concessão de vistos – com prazo estimado entre seis e oito semanas – para torcedores que já adquiriram ingressos pela plataforma oficial.

No entanto, é importante ressaltar que a compra do ingresso não garante automaticamente a obtenção do visto, pois os solicitantes ainda precisam seguir os canais regulares de aplicação. Wilson complementou dizendo que a gestão municipal continuará seus esforços para ser uma cidade receptiva, embora não tenha detalhado especificamente quais medidas adicionais seriam implementadas. Além disso, continuamos fazendo aquilo que já fazemos. Somos uma cidade receptiva e fazemos tudo o que está ao nosso alcance para receber bem os turistas, declarou.

Posicionamento do Departamento de Estado

Em resposta às inquietações, Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, esclareceu que as questões imigratórias são de responsabilidade do Departamento de Segurança Interna, órgão ao qual o ICE está subordinado. Ela acrescentou, contudo, uma mensagem de tranquilidade: turistas que seguem as leis dos Estados Unidos não devem ter medo, pois as autoridades vão direcionar suas ações àqueles que estão violando as leis.

A Copa do Mundo de 2026 será sediada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá, com a partida de abertura ocorrendo no México. A maioria dos jogos será disputada em território norte-americano, enquanto o Canadá receberá apenas seis partidas. Seattle, portanto, se prepara para um evento de grande magnitude, mas enfrenta o desafio de equilibrar a atração turística com as complexidades do cenário político-imigratório atual.