Crise energética em Cuba se agrava com perda do petróleo venezuelano, diz especialista
Perda de petróleo venezuelano agrava crise em Cuba

As relações entre Cuba e Estados Unidos entraram em um novo capítulo de tensão, com declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçando cortar o acesso cubano ao petróleo e aos recursos financeiros provenientes da Venezuela. A situação, analisada por especialistas, pode levar a uma piora significativa da já crítica situação econômica e social na ilha caribenha.

Troca de farpas e um ultimato energético

O ponto de partida para essa nova escalada foi uma troca de acusações públicas entre os líderes das duas nações. Donald Trump utilizou redes sociais para afirmar que Cuba deixará de ter acesso ao petróleo e ao dinheiro da Venezuela, impondo uma condição clara: o governo cubano precisa fechar um acordo com os Estados Unidos. A mensagem foi acompanhada de um alerta, sugerindo que a ação deve ser tomada "antes que seja tarde".

Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reafirmou a posição histórica de seu país, declarando Cuba como uma nação livre, independente e soberana. Ele prometeu defender a ilha "até sua última gota de sangue", recusando-se a ceder à pressão externa.

Impacto social e migratório em potencial

Para o professor de direito e relações internacionais Kleber Galerani, a ameaça representa mais um capítulo nas sanções históricas dos EUA contra Cuba. Em entrevista ao Conexão Record News na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, o especialista destacou que a perda do petróleo venezuelano chega em um momento extremamente delicado.

"Em Cuba já há uma grave escassez de energia, de alimentos e de medicamentos, e a perda do petróleo venezuelano agravará ainda mais essa situação", explicou Galerani. Ele projetou que o impacto será profundamente social, potencialmente fortalecendo as ondas migratórias e a saída de cubanos da ilha. Esse cenário de crise interna, segundo sua análise, pode forçar o regime a considerar algum tipo de negociação.

Alternativas limitadas em um cenário de isolamento

Diante do bloqueio, Cuba se vê com opções restritas para substituir o fornecimento vital de combustível. O professor Galerani apontou possíveis caminhos, mas com ressalvas significativas. A Rússia e países do Oriente Médio são citados como fornecedores em potencial. No entanto, o especialista enfatizou que a ilha enfrenta "um isolamento que é sistemático ao longo de diversas décadas", o que complica qualquer novo acordo de abastecimento em larga escala.

Essa dependência energética, portanto, coloca o governo cubano em uma encruzilhada complexa. A busca por novos parceiros precisa ser rápida e eficaz para evitar um colapso ainda maior nos serviços básicos e na já frágil economia nacional.

O desfecho dessa crise dependerá da capacidade de resistência do regime cubano e da real disposição das partes em buscarem uma solução diplomática. Enquanto isso, a população local se prepara para enfrentar possíveis novos períodos de escassez e dificuldades.