Papa Leão XIV condena violência no Irã e critica uso de Deus para justificar guerra
Papa condena violência no Irã e uso de Deus para justificar guerra

Papa Leão XIV faz apelo emocionado por paz no Oriente Médio e condena violência

Em um pronunciamento carregado de emoção, o papa Leão XIV condenou neste domingo, 15 de março de 2026, o que chamou de "violência atroz" na guerra no Irã, que completa sua terceira semana com um saldo trágico de aproximadamente 2 mil mortes em 12 países diferentes. O conflito foi desencadeado após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel ao território iraniano em 28 de fevereiro, numa resposta às negociações nucleares fracassadas.

Escalação do conflito e resposta iraniana

Como reação aos bombardeios iniciais, o Irã retaliou com ataques a bases americanas espalhadas por todo o Oriente Médio, intensificando ainda mais as tensões na região já conturbada. Durante a tradicional oração do Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano, o pontífice expressou sua profunda preocupação com o sofrimento dos povos locais.

"Durante duas semanas, os povos do Oriente Médio têm sofrido a atrocidade da violência da guerra", declarou Leão XIV com voz comovida. "Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todas as mulheres e homens de boa vontade, apelo aos responsáveis por este conflito: cessem fogo!"

Situação crítica no Líbano e apelo ao diálogo

O papa também abordou a grave situação no Líbano, país que foi arrastado para o conflito após a milícia Hezbollah - aliada e armada pelo Irã - lançar mísseis contra Israel na semana passada. Segundo dados alarmantes do Ministério da Saúde libanês, os confrontos já resultaram em 634 mortes confirmadas, incluindo 91 crianças, e deslocaram mais de 810 mil pessoas de suas casas.

"Espero que se estabeleçam caminhos de diálogo que possam apoiar as autoridades do país na implementação de soluções duradouras para a grave crise em curso, para o bem comum de todo o povo libanês", afirmou o líder religioso, demonstrando especial preocupação com a população civil afetada.

Crítica ao uso do nome de Deus para justificar violência

Mais tarde, durante uma visita pastoral a uma paróquia em Roma, Leão XIV aprofundou sua reflexão sobre os conflitos contemporâneos. O pontífice argumentou de forma contundente que confrontos armados não são o caminho para resolver problemas entre nações e criticou aqueles que instrumentalizam a fé para justificar assassinatos.

"Hoje, muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo estão sofrendo por causa de conflitos violentos, causados pela afirmação absurda de que problemas e desentendimentos podem ser resolvidos por meio da guerra", ponderou o papa. "Alguns chegam ao ponto de invocar o nome de Deus para justificar essas escolhas de morte, mas Deus não pode ser cooptado pelas trevas. Pelo contrário, Ele sempre vem para trazer luz, esperança e paz à humanidade."

O pronunciamento do líder da Igreja Católica ocorre num momento particularmente delicado das relações internacionais, marcado pela escalada militar e pelo aumento exponencial de vítimas civis em múltiplos países do Oriente Médio. A postura firme do Vaticano contra a violência e a defesa intransigente do diálogo como único caminho para a paz ressoam como um apelo urgente à comunidade global.